Ícone de inteligência artificial com fechadura e dados, representando segurança de dados na IA.

IA e Risco Financeiro: 59% das Violações expõem dados!

Por Anselmo Bispo • 7 min de leitura

A Inteligência Artificial (IA), especialmente a IA generativa (genAI), está revolucionando o mundo, mas também levantando sérias preocupações de segurança, principalmente no setor financeiro. Uma nova pesquisa da Netskope Threat Labs revela um cenário complexo onde a inovação caminha lado a lado com riscos alarmantes de exposição de dados.

De acordo com o relatório, os dados regulados representam impressionantes 59% das infrações de políticas de dados relacionadas ao uso de genAI. Isso indica uma dificuldade crescente em proteger informações críticas que estão sujeitas a rigorosas exigências de conformidade legais e setoriais.

O Cenário de Riscos no Setor Financeiro com a IA Generativa

A adoção acelerada de IA generativa pelas instituições financeiras, embora traga ganhos de eficiência, expõe um elo fraco na corrente de segurança. A rapidez com que essa tecnologia processa e dissemina informações torna os métodos de proteção tradicionais muitas vezes insuficientes.

Além dos dados regulados, o relatório destaca outros tipos de informações sensíveis comprometidas. A propriedade intelectual corresponde a 20% das violações, o código-fonte a 11% e, de forma preocupante, credenciais como senhas e chaves de API somam 9%.

“O que se observa no Brasil não representa um novo risco, mas a amplificação de um problema antigo. A IA acelera a circulação de dados sensíveis em uma velocidade que os controles tradicionais não acompanham. O maior risco hoje está na mistura entre ambientes pessoais e corporativos, que reduz a visibilidade e torna a governança mais complexa. No setor financeiro, isso é ainda mais crítico e quem não evoluir rapidamente na gestão desses dados pode transformar o ganho de eficiência em um grande risco regulatório”, explica Claudio Bannwart, country manager da Netskope.

Essa análise de Bannwart ressalta uma verdade incontornável: a IA não cria novos problemas, mas potencializa os existentes. A integração de ferramentas de IA com dados sensíveis, especialmente em ambientes híbridos (pessoal e corporativo), multiplica exponencialmente as superfícies de ataque.

A Luta Pelo Controle: Adopção e Gerenciamento da IA

Apesar dos riscos, a adoção da IA é uma realidade incontornável. O levantamento da Netskope aponta que 70% dos usuários utilizam ativamente ferramentas de genAI. Mais abrangente ainda, 97% interagem com aplicações que incorporam esses recursos, mesmo que de forma indireta.

Um dado alarmante é que 94% dessas aplicações dependem de dados dos próprios usuários para treinamento. Isso significa que, muitas vezes, informações confidenciais são inadvertidamente alimentadas em modelos de IA que podem tê-las expostas.

No entanto, há sinais de que as organizações estão agindo. A proporção de usuários que recorrem a aplicações pessoais de genAI caiu de 76% para 36% no último ano. Em contrapartida, a adoção de soluções de IA gerenciadas pelas empresas subiu de 33% para 79%.

Mesmo com esse avanço, o número de usuários que alternam entre contas pessoais e corporativas subiu de 9% para 15%. Essa prática cria uma ponte perigosa para a circulação de dados sensíveis entre ambientes que não são controlados e os sistemas corporativos, como bem analisamos aqui no Brasil Vibe Coding em outras ocasiões sobre segurança de dados.

O Dinamismo do Ecossistema Generativo de IA

O mercado de genAI está em constante evolução, com novas ferramentas surgindo e ganhando tração rapidamente. O ChatGPT da OpenAI continua sendo a aplicação mais dominante, presente em 76% das organizações pesquisadas.

O Google Gemini segue de perto, com 68% de adoção. Ferramentas mais recentes também mostram um crescimento impressionante, como o Google NotebookLM, que alcança 39% de uso, e o AssemblyAI, que saltou de 1% para 37% em menos de um ano.

Apesar da popularidade dessas ferramentas, as empresas estão cada vez mais cautelosas. Há uma lista crescente de aplicações bloqueadas devido a preocupações de segurança e conformidade. O ZeroGPT (46%), DeepSeek (44%) e PolitePost (43%) estão entre as mais restritas.

Essa postura reflete a necessidade de um balanço entre a inovação e a segurança da informação, um desafio constante para os times de cibersegurança e desenvolvimento que precisam integrar essas tecnologias de forma segura.

Além da IA: Ameaças Persistentes em Ambientes de Nuvem

Ainda que a IA esteja sob os holofotes, outras ameaças persistentes continuam a atormentar o setor financeiro. O uso de aplicações pessoais de nuvem no ambiente corporativo, por exemplo, permanece como um vetor significativo de risco. Isso inclui serviços como Google Drive, Microsoft OneDrive e LinkedIn, que são amplamente utilizados.

Nesses ambientes, dados regulados representam 65% das violações de políticas. Isso demonstra que a fronteira entre o uso pessoal e profissional continua sendo um ponto crítico de vulnerabilidade, resultando em maior exposição de informações sensíveis fora de ambientes gerenciados e controlados.

Adicionalmente, a utilização de plataformas de nuvem legítimas para distribuição de malware é outra preocupação crescente. O GitHub, uma plataforma essencial para desenvolvedores e programação, lidera esse tipo de exploração, afetando 11% das organizações.

O Microsoft OneDrive segue logo atrás, com 8%. Ao se valerem de infraestruturas confiáveis, os atacantes conseguem ocultar suas atividades maliciosas no tráfego legítimo, tornando a detecção muito mais difícil para as equipes de segurança.

Estratégias Para um Futuro Mais Seguro com a IA

Diante desse cenário desafiador, a adoção de uma abordagem de segurança robusta e em camadas é crucial. A inovação trazida pela IA generativa é inegável, mas precisa ser acompanhada por medidas preventivas e reativas igualmente sofisticadas.

“À medida que as instituições financeiras aceleram a adoção de inteligência artificial generativa, também ampliam o número de caminhos pelos quais dados sensíveis podem ser expostos. Embora a migração para ferramentas gerenciadas pelas organizações seja um passo positivo, os resultados mostram que os riscos persistem, especialmente quando uso pessoal e corporativo se misturam. Para reduzir esse risco, as organizações precisam adotar uma abordagem em camadas, inspecionando todo o tráfego web e de nuvem para bloquear malware, restringindo aplicações não essenciais e utilizando soluções de prevenção contra perda de dados para proteger informações sensíveis. Tecnologias como isolamento remoto de navegador também desempenham um papel importante ao permitir acesso seguro a sites de maior risco”, afirma Ray Canzanese, diretor do Netskope Threat Labs.

As recomendações de Canzanese enfatizam a importância de uma defesa multifacetada. Isso inclui a inspeção contínua de todo o tráfego de rede e nuvem, a implementação de políticas rigorosas para restringir o uso de aplicações não essenciais, e a adoção de soluções avançadas de prevenção contra perda de dados (DLP).

Ainda mais, tecnologias como o isolamento remoto de navegador podem se tornar ferramentas valiosas para proteger o acesso a sites de maior risco, minimizando a exposição a ameaças e garantindo a conformidade regulatória. Aqui no Brasil Vibe Coding, acreditamos que a sinergia entre segurança cibernética e desenvolvimento de soluções inteligentes é a chave para o futuro.

Conclusão: O Desafio da Balança entre Inovação e Proteção na Era da IA

A ascensão da IA generativa no setor financeiro é um testamento do poder transformador da tecnologia. No entanto, o relatório da Netskope Threat Labs serve como um alerta claro: a exposição de dados regulados em mais da metade das violações relacionadas à IA exige uma reconsideração urgente das estratégias de segurança.

A complexidade de gerenciar o uso de IA, especialmente com a crescente intersecção entre ambientes pessoais e corporativos, impõe desafios significativos. As empresas precisam investir em tecnologias de segurança avançadas e em uma cultura de conformidade e conscientização para proteger suas informações mais valiosas.

É fundamental que as instituições financeiras, e todas as organizações que lidam com dados sensíveis, se adaptem rapidamente. A IA é uma ferramenta poderosa, mas seu uso careless pode resultar em riscos regulatórios e danos à reputação. O equilíbrio entre inovação e proteção será a marca registrada das empresas bem-sucedidas nesta nova era digital. Continue acompanhando o Brasil Vibe Coding para mais insights sobre tecnologia e segurança!

Tags: IA Inteligência Artificial Cibersegurança Setor Financeiro Netskope Threat Labs Dados Regulamentados GenAI Segurança de Dados

Perguntas Frequentes

O que são dados regulados e qual a sua relevância nas violações de IA?

Dados regulados são informações sensíveis sujeitas a leis e normas específicas, como dados financeiros ou de saúde. Eles representam 59% das violações ligadas à IA generativa, destacando a dificuldade em protegê-los.

Como a IA generativa amplifica os riscos de segurança no setor financeiro?

A IA generativa acelera a circulação de dados sensíveis, tornando os controles de segurança tradicionais ineficazes. O maior risco está na mistura entre ambientes pessoais e corporativos, que dificulta a visibilidade e governança dos dados.

Quais são as aplicações de IA generativa mais utilizadas e as mais bloqueadas?

O ChatGPT (76%) e o Google Gemini (68%) são as aplicações de IA mais utilizadas. Já ZeroGPT (46%), DeepSeek (44%) e PolitePost (43%) estão entre as mais bloqueadas por razões de segurança e conformidade.

Além da IA, quais outras ameaças persistem em ambientes de nuvem?

O uso de aplicações pessoais de nuvem no ambiente corporativo (como Google Drive, LinkedIn) é um vetor de risco, com dados regulados representando 65% das violações. Plataformas como GitHub também são usadas para distribuição de malware.

Que estratégias as organizações podem adotar para mitigar os riscos da IA?

As organizações devem adotar uma abordagem em camadas, inspecionando o tráfego web e de nuvem, restringindo aplicações não essenciais, usando soluções de prevenção contra perda de dados (DLP) e tecnologias como isolamento remoto de navegador.