Logotipo da Meta ao lado do nome Manus AI, simbolizando a aquisição desfeita por ordem da China

China barra Meta: Entenda por que aquisição da Manus AI foi

Por Pedro W. • 4 min de leitura

A Meta começou a reverter a compra de US$ 2 bilhões da Manus AI, uma startup focada em agentes de inteligência artificial. Segundo o TechCrunch, que se baseia em uma reportagem da Bloomberg desta sexta-feira (13), a gigante de Menlo Park cortou o acesso da Manus aos seus sistemas internos e suspendeu o compartilhamento de dados entre as duas empresas.

Essa é a ação mais concreta até agora para cumprir a ordem de desinvestimento emitida pela China há cerca de dois meses, citando preocupações de segurança nacional. O negócio, que parecia promissor para a Meta, agora se desfaz por questões geopolíticas de alta complexidade.

Meta e Manus: O que mudou na prática

No dia a dia, a separação já é sentida. Funcionários da Meta estão, por exemplo, impedidos de utilizar ferramentas da Manus em seus projetos internos. A divisão operacional entre as companhias está em pleno andamento, marcando um recuo significativo para ambas.

Paralelamente, os cofundadores da Manus estão em conversas preliminares para levantar aproximadamente US$ 1 bilhão. Esse dinheiro, vindo de investidores externos, seria crucial para reerguer a startup das mãos da Meta. Uma possível saída é a criação de uma joint venture chinesa e uma eventual listagem na bolsa de valores de Hong Kong, que, nos últimos meses, tem visto uma série de IPOs de startups chinesas de IA.

Como a situação escalou

A Manus ganhou o noticiário global com uma demonstração viral de seu agente de IA. A startup, controlada pela empresa chinesa Butterfly Effect, transferiu sua equipe para Singapura em meados de 2025 e, em dezembro do mesmo ano, anunciou sua aquisição pela Meta por US$ 2 bilhões.

Contudo, os reguladores chineses começaram a investigar o negócio já no início de 2026. As preocupações giravam em torno de possíveis violações de controles de exportação de tecnologia e regras de investimento estrangeiro. Em abril, a China emitiu a ordem formal para a separação.

“O episódio faz parte de um movimento chinês maior para manter controle sobre tecnologia estratégica.”

Essa frase, presente na análise do cenário, resume a motivação por trás da intervenção chinesa. Não é apenas a Manus, mas um padrão maior de proteção tecnológica.

Investidores: Quem recebeu e quem coopera

Os investidores americanos da Manus, incluindo a firma de venture capital californiana Benchmark, já receberam os recursos da aquisição original. Já os investidores asiáticos, como Tencent, HSG e ZhenFund, sinalizaram que irão cooperar com o processo de reversão do negócio.

A origem chinesa da Manus levantou questionamentos também nos Estados Unidos. O senador John Cornyn, por exemplo, chegou a questionar publicamente se o capital americano deveria ser direcionado para uma empresa com fortes laços chineses. Isso mostra a complexidade das relações internacionais quando a alta tecnologia está envolvida.

Um padrão mais amplo de controle

O caso da Manus não é um incidente isolado. Ele se encaixa em um esforço chinês mais amplo para manter o controle sobre o desenvolvimento de tecnologias estratégicas. As autoridades do país asiático têm ampliado restrições de viagem para pesquisadores e executivos de empresas privadas, que agora precisam de aprovação governamental para viajar ao exterior.

Além disso, outras empresas como Moonshot AI, StepFun e ByteDance precisarão de aval do governo antes de aceitar investimentos americanos. Essa é mais uma camada no esforço de Pequim para controlar e direcionar seu setor de inteligência artificial, garantindo que o desenvolvimento tecnológico esteja alinhado com os interesses nacionais.

Apesar de todo o processo de separação e das pressões externas, a Manus AI não parou suas atividades de desenvolvimento de produtos. Nesta semana, a startup lançou integrações com as plataformas Similarweb e Shopify, mostrando que, apesar dos percalços, sua jornada no campo da inteligência artificial continua.

Tags: Meta Manus AI aquisição China segurança nacional

Perguntas Frequentes

Por que a China ordenou o desinvestimento da Meta na Manus AI?

A China ordenou o desinvestimento da Meta na Manus AI devido a preocupações de segurança nacional, citando possíveis violações de controles de exportação de tecnologia e regras de investimento estrangeiro.

Quanto a Meta pagou pela Manus AI?

A Meta anunciou a aquisição da Manus AI por US$ 2 bilhões em dezembro de 2025.

O que os cofundadores da Manus AI estão planejando após a separação?

Os cofundadores da Manus AI estão em conversas preliminares para levantar aproximadamente US$ 1 bilhão de investidores externos, com o objetivo de recuperar a startup e possivelmente buscar uma estrutura de joint venture chinesa e listagem na bolsa de Hong Kong.

Quais são as novas restrições impostas pela China no setor de tecnologia?

A China ampliou restrições de viagem para pesquisadores e executivos de empresas privadas e exige aval do governo para empresas como Moonshot AI, StepFun e ByteDance antes de aceitar investimentos americanos.

A Manus AI parou de desenvolver produtos após a ordem de separação?

Não. Apesar do processo de separação, a Manus AI continuou a desenvolver produtos e lançou integrações com as plataformas Similarweb e Shopify nesta semana.