Uma polêmica agitou o cenário de modelos de linguagem (LLMs) de código aberto: o Rio 3.5 Open 397B, apresentado pela Prefeitura do Rio e IplanRIO, está sob acusação de plágio.
A controvérsia gira em torno do arquivo de pesos do modelo, o 'checkpoint' publicado. A suspeita é que ele seria uma mistura direta do Nex-N2-Pro com o Qwen3.5-397B-A17B, sem a devida atribuição de crédito à Nex. Embora a palavra "plágio" possa ser pesada, especialmente para modelos sob licenças permissivas de código aberto, a questão central não é se "pode usar", mas sim se houve transparência e crédito adequado. Em projetos de IA, a pergunta "foi transparente sobre o que de fato foi feito?" é tão crucial quanto o uso da licença.
A evidência apresentada pela Nex é considerada forte, sugerindo que o checkpoint inicial da Rio 3.5 é uma mescla quase linear dos dois outros modelos. A própria página README da Rio no Hugging Face foi alterada após a issue aberta pela Nex, passando a reconhecer a combinação de Nex e Qwen e justificando que o ocorrido foi um "envio incorreto". Isso, contudo, não prova juridicamente "plágio" no sentido clássico, mas indica uma falha de atribuição e comunicação, algo de maior peso para um projeto público.

A promessa da Rio 3 Open e o que foi questionado
Em abril, a Prefeitura do Rio e a IplanRio anunciaram a plataforma Rio 3 Open, descrita como "uma família de seis modelos de inteligência artificial de ponta totalmente gratuita e aberta". O objetivo era posicionar o Rio como um polo de inovação pública, desenvolvendo soluções de IA próprias "sem depender de plataformas estrangeiras". A licença MIT, prometendo uso livre, modificação e até lucro sobre a tecnologia, foi um dos pontos destacados, conforme informações da Prefeitura do Rio, de 2 de abril deste ano.
Uma reportagem do Mobile Time contextualizou que a família de modelos seria desenvolvida a partir do Qwen, um modelo chinês da Alibaba. João Cabaretta, presidente da IplanRio, teria afirmado na ocasião:
O que fizemos foi pegar o modelo Qwen, já pronto, e a partir dele modificamos o modelo.
As expectativas para o uso desses modelos na prefeitura incluíam desde a análise de câmeras de segurança para identificar atividades suspeitas até a geração de imagens e vídeos institucionais, além do atendimento ao cidadão. Pegar um modelo aberto e adaptá-lo para uso local é uma prática comum e benéfica, especialmente se a prefeitura conseguiu estruturar e documentar a iniciativa. A questão surge quando a forma como a Rio 3.5 foi apresentada no Hugging Face é analisada.
Inicialmente, o repositório prefeitura-rio/Rio-3.5-Open-397B indicava que o modelo era "developed by IplanRIO" e "Post-trained from Qwen 3.5 397B", com licença MIT e um agradecimento genérico. Esta descrição original é o cerne da acusação de falha na atribuição, pois não mencionava o uso do Nex-N2-Pro, que agora se presume ter sido uma parte significativa da composição do modelo.