A inteligência artificial tem um lado sombrio, que agora se manifesta nos consultórios de cirurgia plástica. Um número crescente de pessoas está buscando procedimentos estéticos com base em recomendações de chatbots ou em imagens geradas por IA, criando expectativas frequentemente inatingíveis.
Cirurgiões plásticos estão cada vez mais preocupados com o fenômeno da “face de IA”, à medida que mais e mais clientes chegam com visões irrealistas do que querem parecer, produzidas por algoritmos. Essas imagens, muitas vezes, ultrapassam os limites do que é fisicamente possível com a cirurgia.
A Dra. Nora Nugent, uma cirurgiã estética de Tunbridge Wells, no Reino Unido, tem observado essa tendência de perto. Seus clientes começaram a levar fotos de si mesmos “embelezadas” por inteligência artificial, munidos de uma falsa expectativa de que esses resultados seriam alcançáveis por meio de uma cirurgia. Nugent, que também preside a British Association of Aesthetic Plastic Surgeons, revela que muitos de seus colegas estão enfrentando experiências semelhantes.
“Você não pode controlar tudo”, afirma a Dra. Nugent, destacando a impossibilidade de replicar perfeitamente as fantasias digitais na realidade.
O cenário aponta para um desafio ético e prático para a medicina estética. A capacidade da IA de criar imagens hiper-realistas, mas fisicamente impossíveis, tem levado a uma desconexão entre o desejo do paciente e a capacidade do cirurgião. O que a inteligência artificial projeta em pixels não necessariamente se traduz em carne e osso, gerando frustração e, em alguns casos, até insatisfação pós-operatória.
Esse fenômeno levanta questões importantes sobre a responsabilidade das ferramentas de IA e a educação dos pacientes. É crucial que os profissionais de saúde estabeleçam limites claros e expliquem as capacidades e limitações da cirurgia plástica, desmistificando as promessas, muitas vezes, enganosas das imagens geradas por computador.