A proteção de dados e empresas no ambiente digital se tornou uma necessidade urgente. O mercado de seguros cibernéticos no Brasil teve um crescimento notável, superando 185% no início de 2026. Somente nos dois primeiros meses do ano, a arrecadação com esses seguros atingiu R$ 73,6 milhões, um valor que destaca a mudança no cenário de segurança digital do país.
Os números comprovam: só em fevereiro, os prêmios arrecadados somaram R$ 48,4 milhões, um aumento de mais de 250% em comparação com o mesmo mês do ano anterior. Isso reflete diretamente a crescente exposição digital das empresas e a complexidade dos ataques cibernéticos.
Dados da Polícia Federal mostram um cenário preocupante: os indiciamentos por crimes cibernéticos aumentaram 221% entre 2023 e 2025. Além disso, um levantamento da Fortinet indica que o Brasil concentrou 84% das tentativas de ataques na América Latina em um período recente. Isso demonstra um volume contínuo de ameaças digitais.
Indenizações Milionárias: O Custo da Insegurança
Enquanto a arrecadação aumentou, as indenizações pagas também alcançaram valores significativos. No primeiro bimestre de 2026, as compensações por riscos cibernéticos totalizaram R$ 13,9 milhões, um aumento de 1.246,2% em relação ao ano anterior. Esse dado não só ilustra o impacto financeiro dos ataques, mas também a relevância desses seguros na recuperação de perdas e na continuidade das operações das empresas após um incidente digital.
A paralisação de sistemas críticos, o roubo ou a criptografia de dados podem causar danos graves a uma empresa, incluindo tempo de inatividade, perda de informações e prejuízo à reputação. Nesses casos, o seguro cibernético oferece suporte financeiro e acesso a serviços especializados de resposta a incidentes, essenciais para lidar com ataques que exigem conhecimento técnico e agilidade.
Setor de Seguros Reforça Ações Preventivas
Diante desse contexto, o setor segurador está usando a inteligência coletiva para combater as ameaças cibernéticas. A Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização (CNseg), por meio de sua Diretoria de Serviços às Associadas (DISERV), criou o sistema de Compartilhamento de Incidentes Cibernéticos (CIC).
Essa ferramenta permite que empresas associadas troquem informações sobre ameaças e vulnerabilidades de forma segura e confidencial. Em 2025, o CIC registrou 527 alertas de incidentes, número que subiu para 123 comunicados somente no primeiro trimestre de 2026. Isso mostra que o risco permanece alto e que a colaboração é fundamental para a defesa.
A Colaboração como Ferramenta Contra o Crime Digital
O Compartilhamento de Incidentes Cibernéticos atua como uma proteção coletiva. Ao permitir que as companhias do setor compartilhem dados sobre tentativas de fraude, novas vulnerabilidades e tendências tecnológicas, é possível identificar ameaças mais rapidamente e, assim, adotar medidas de contenção e resposta de forma mais eficaz. É um exemplo claro de que a união faz a força, especialmente contra criminosos digitais que são evasivos e adaptáveis.
Entre os registros mais frequentes no sistema CIC, destacaram-se alertas de vulnerabilidade, notícias sobre incidentes e comunicações relacionadas a tendências tecnológicas e novas exposições de risco. Isso indica que o setor está atento não apenas aos ataques já ocorridos, mas também às futuras ameaças, buscando antecipar os próximos passos dos criminosos.
Para o Brasil, onde a digitalização avança rapidamente, mas a infraestrutura de segurança ainda pode ser um desafio para muitas pequenas e médias empresas, o crescimento do seguro cibernético e as iniciativas de colaboração são muito bem-vindos. A questão é se estamos apenas reagindo aos ataques, ou se a cultura de prevenção finalmente está se fortalecendo e se tornando um pilar central na estratégia de proteção digital das empresas.