Imagem de um motor elétrico moderno, com destaque para seus componentes, ilustrando a tecnologia da Renault sem terras raras.

Renault: Motor elétrico sem metais raros é o futuro?

Por Anselmo Bispo • 4 min de leitura

A busca por uma tecnologia mais limpa e sustentável no setor automotivo elétrico esbarra frequentemente em um gargalo: os metais raros. Esses elementos, essenciais para a fabricação de motores elétricos convencionais, geram preocupações ambientais e geopolíticas. No entanto, o Grupo Renault parece ter encontrado um caminho diferente, firmando-se como um pioneiro no desenvolvimento de motores elétricos que dispensam o uso desses materiais preciosos. Uma estratégia que o posiciona de forma única no mercado automotivo.

Os motores elétricos de ímã permanente, amplamente utilizados hoje, dependem de terras raras como o neodímio, o disprósio e o térbio. Esses minerais são cruciais para garantir um bom desempenho, mas sua extração e refino são processos complexos e poluentes. Além disso, a concentração da produção em poucas regiões do mundo levanta questões de segurança de suprimento e volatilidade de preços.

O dilema das terras raras: desempenho versus sustentabilidade

A tecnologia dos motores síncronos com rotor bobinado (EESM), que a Renault tem empregado desde o lançamento do Zoe em 2012 e agora no Megane E-Tech Electric, oferece uma alternativa robusta. Esses motores substituem os ímãs permanentes por um rotor bobinado que gera seu próprio campo magnético, sem necessitar de terras raras. A abordagem não é nova globalmente, mas a forma como a Renault a implementou, focando em desempenho e eficiência, é o que a distingue.

Gilles Le Borgne, Diretor de Engenharia do Grupo Renault, ressalta a importância estratégica dessa escolha:

"Nossos motores elétricos síncronos com rotor bobinado (EESM) não usam terras raras porque o campo magnético é gerado por um rotor bobinado. Isso nos torna os únicos no mercado automotivo. É uma escolha deliberada e estratégica que nos permite evitar as questões geopolíticas e ambientais associadas às terras raras, ao mesmo tempo em que oferece uma forte vantagem tecnológica."

A alternativa da Renault, o motor EESM, não apenas mitiga as preocupações com terras raras, mas também se destaca em termos de performance. O motor é mais flexível no gerenciamento do fluxo magnético e se mostra particularmente eficiente em altas velocidades, fator crucial para a autonomia de veículos elétricos em estradas, onde o consumo de energia é maior. Além disso, a tecnologia permite uma recuperação de energia mais eficaz durante a frenagem, otimizando o uso da bateria.

As vantagens do motor EESM da Renault

Apesar de o motor EESM ter sido inicialmente adotado devido à sua adaptabilidade para diferentes níveis de potência em 2012, suas vantagens foram se tornando mais evidentes com o tempo. A ausência de ímãs permanentes significa que o motor é menos suscetível a variações de temperatura, o que pode prolongar sua vida útil e melhorar a estabilidade do desempenho.

A Renault enfatiza que a produção de um motor EESM é ligeiramente mais complexa do que um motor de ímã permanente, exigindo anéis coletores adicionais e escovas para alimentar o rotor. Contudo, a empresa já domina essa tecnologia, tendo produzido mais de um milhão de motores elétricos EESM em sua fábrica de Cléon. Essa expertise permite que a empresa controle melhor a cadeia de suprimentos e os custos de produção, oferecendo um diferencial competitivo.

A empresa também está explorando outras tecnologias, como os motores de fluxo axial, que prometem uma maior compacidade e eficiência, especialmente para veículos de alto desempenho. A aquisição de Whylot, uma pequena empresa francesa especializada em tecnologia de motor de fluxo axial, em 2021, demonstra o compromisso da Renault com a inovação contínua. A meta é integrar essa tecnologia em seus veículos elétricos a partir de 2025.

Os desafios da transição para o motor elétrico são muitos, mas a abordagem da Renault em relação aos metais raros apresenta uma solução pragmática e estratégica. Ao focar em tecnologias que minimizam a dependência de recursos escassos e poluentes, a montadora não apenas se alinha com as crescentes demandas por sustentabilidade, mas também garante uma maior independência e resiliência em sua produção.

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