A linha entre a inovação e a ética se tornou tênue demais para um advogado em São Paulo. O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) flagrou um profissional que, de forma ardilosa, tentou usar inteligência artificial para moldar o resultado de ações judiciais. A manobra resultou em multas, rejeição dos processos e, agora, o caso segue para investigação mais aprofundada.
Os indícios apontam que o advogado inseriu comandos ocultos, ou “prompts”, nas petições entregues à Justiça. A ideia seria guiar a IA, que auxilia na análise e tramitação dos casos, para favorecer seus clientes. É uma tentativa de manipular o sistema, desviando a ferramenta de seu propósito original de otimizar o trabalho jurídico e não de influenciar decisões.
O TJSP agiu de maneira categórica. Além de rejeitar as ações, a corte aplicou multas ao advogado e decidiu encaminhar o caso para investigação. Isso sugere que a conduta pode ter implicações disciplinares sérias, indo além da esfera cível.
O que o advogado fez?
A tática consistiu em submeter à inteligência artificial pedidos que, à primeira vista, pareciam normais. No entanto, o sistema do TJSP identificou que as petições continham comandos específicos, projetados para interagir de forma não convencional com a IA. Segundo o Tribunal, esses comandos eram instruções para que a IA “direcionasse resultados” ou “induzisse decisões” em favor das ações que o advogado representava. Essa prática foge completamente dos princípios de transparência e equidade que regem o sistema judicial.
A situação acende um alerta sobre o uso responsável da tecnologia no Judiciário. A inteligência artificial tem sido uma ferramenta poderosa para agilizar processos e auxiliar juízes e servidores, mas sua implementação exige salvaguardas rigorosas contra abusos. O episódio no TJSP mostra que a fiscalização precisa evoluir junto com a tecnologia, para garantir que as ferramentas de IA sirvam à justiça, e não a interesses particulares.