O cenário digital apresenta desafios constantes, e a segurança infantojuvenil é uma preocupação crescente. Recentemente, um levantamento da ESET, conduzido pela iniciativa educativa Digipais, acendeu um sinal de alerta ao revelar um aumento significativo na presença de softwares maliciosos, como spywares e stalkerwares, em celulares utilizados por crianças e adolescentes. Essa proliferação compromete a integridade e a privacidade dos menores, exigindo atenção redobrada dos pais e responsáveis.
A forma silenciosa com que esses programas maliciosos se instalam é um dos aspectos mais preocupantes. Muitas vezes, a instalação ocorre sem que o usuário perceba, abrindo caminho para que cibercriminosos obtenham acesso irrestrito a câmeras, microfones e toda a atividade do dispositivo, sem deixar rastros. Para aprofundar seu conhecimento sobre táticas de cibersegurança e proteção contra ameaças invisíveis, veja também nosso artigo sobre Novo Golpe de Malware Via Notificação Push Ataca Navegadores.
Entendendo Spywares e Stalkerwares: Táticas de Invasão
Embora frequentemente confundidos, spywares e stalkerwares operam com objetivos distintos.
Spyware: O Ladrão de Informações
O spyware tem como finalidade principal o roubo de informações sensíveis, como dados bancários, credenciais de login e histórico de navegação. Um exemplo notório ocorreu em 2024, quando a ESET identificou um canal no Telegram onde criminosos disseminavam um spyware chamado Ratel, utilizando o jogo Hamster Kombat. Uma vez ativo, o vírus interceptava mensagens SMS para realizar transferências fraudulentas. Compreender a complexidade dessas ameaças é crucial, conforme detalhamos em nosso artigo sobre como o Google expôs um malware chinês indetectável por três anos.
Stalkerware: A Vigilância Silenciosa
Já o stalkerware, comumente empregado para vigilância pessoal, é mais desafiador de detectar. Sua instalação geralmente é manual, realizada por alguém com acesso físico ao aparelho, e ele opera em segundo plano, mascarado como um aplicativo legítimo. Dessa forma, consegue registrar a localização e o comportamento do usuário sem que este saiba que está sendo monitorado.

Softwares maliciosos contaminam celulares usados por crianças de maneira silenciosa (Imagem: OleksandrPidvalnyi/Pixabay).
Em 2021, uma varredura da ESET em mais de 80 aplicativos de vigilância para Android revelou falhas graves de segurança em quase 60 deles.
“Enquanto as ferramentas para pais são criadas para proteger e acompanhar as crianças de forma ética, o stalkerware atua em segredo. Por isso, é essencial que o monitoramento digital seja feito com diálogo e consentimento, explicando às crianças o propósito e o alcance dessas ferramentas”, explica Camilo Gutierrez Amaya, chefe do Laboratório de Pesquisa da ESET na América Latina.
Sinais de Alerta para Pais e Responsáveis
Diante do cenário preocupante da exposição de crianças e adolescentes a softwares maliciosos, existem sinais cruciais que podem indicar a presença de spyware ou stalkerware no dispositivo:
Superaquecimento do celular ou tablet sem uso intenso.
Consumo excessivo de bateria, mesmo em stand-by.
Travamentos constantes e lentidão inesperada.
Aplicativos de nomes genéricos ou desconhecidos que aparecem na lista.
Ativação repentina do GPS ou da luz da câmera sem que os recursos estejam em uso.
Nesses casos, a recomendação dos especialistas é a inclusão de ferramentas de segurança robustas para eliminar essas ameaças antes que o pior aconteça. A ação rápida pode evitar que softwares corrompidos registrem atividades em tempo real, como conversas e dados pessoais, que podem ser enviados diretamente para cibercriminosos. A conscientização sobre esses riscos é fundamental, especialmente considerando as vulnerabilidades digitais em diferentes gerações, um tema que exploramos em Geração Z e Senhas Fracas: Um Alerta de Cibersegurança.