Cidadãos taiwaneses, jovens e idosos, participando de um curso de pilotagem de drones em sala de aula

Taiwan: Cursos de drones para civis. O que a Ucrânia ensina?

Por Pedro W. • 3 min de leitura

A tensa relação entre China e Taiwan acaba de ganhar um novo capítulo, mas desta vez, a iniciativa parte da ilha autônoma. Inspirado pelas táticas de guerra observadas na Ucrânia, Taiwan está investindo pesado na capacitação de sua população para o uso de drones, transformando civis em potenciais operadores de defesa.

Em uma sala apertada em Taipei, Pan Chien-chin, que nunca havia pilotado um drone antes, concentra-se para manter o aparelho pairando. Ele se imagina no controle de um avião, movendo os joysticks do controle com delicadeza para guiar o dispositivo que zune no ar, semelhante a um inseto. O objetivo é contornar um percurso retangular marcado por cones de tráfego sem derrubar o aparelho.

Taiwan investe em defesa civil com drones

A cena de Pan Chien-chin, que ao final é aplaudido por não ter batido o drone, é parte do primeiro programa de treinamento de drones para defesa civil em Taiwan. Cerca de duas dúzias de outros participantes, entre jovens e idosos, o acompanham no curso. Todos se inscreveram para aprender a operar esses pequenos veículos aéreos não tripulados, em um movimento que reflete uma preocupação crescente com a segurança nacional.

A iniciativa taiwanense demonstra uma clara intenção de emular estratégias que se mostraram eficazes em conflitos recentes. A Ucrânia, por exemplo, utilizou drones de forma extensiva, tanto para vigilância quanto para ataques pontuais, com a participação ativa de civis e voluntários.

A Taiwan, ao capacitar sua população para operar drones, busca criar uma camada extra de defesa e vigilância. A ideia é que, em um cenário de conflito, cidadãos comuns possam contribuir significativamente, seja na coleta de informações, no reconhecimento de terreno ou até mesmo em operações de suporte, sem a necessidade de um treinamento militar formal.

Este movimento sugere uma mudança na concepção de defesa de Taiwan, que agora não se limita apenas às forças armadas tradicionais, mas se estende para a mobilização e capacitação da sociedade civil. O programa de treinamento é um reflexo direto da percepção de uma ameaça militar chinesa iminente, que tem levado o governo de Taiwan a buscar alternativas e tecnologias para fortalecer suas capacidades defensivas.

A aposta em drones para a defesa civil não é apenas uma resposta à conjuntura geopolítica, mas também um reconhecimento do papel cada vez mais relevante da tecnologia no cenário da guerra moderna. Esses cursos, ministrados em ambientes civis, visam democratizar o acesso a essa tecnologia, transformando uma ferramenta antes restrita a militares em um recurso acessível a qualquer cidadão interessado em contribuir com a segurança do país.

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