Gráfico financeiro com dados de crescimento e o logo da Samsung em uma tela de smartphone, simbolizando o impacto da demanda por chips.

Memória RAM mais cara? Escassez por IA vai até 2027, diz Sam

Por Miguel Viana • 4 min de leitura

A corrida desenfreada pela inteligência artificial não promete dar trégua tão cedo, e a conta deve chegar diretamente no seu bolso. A Samsung, gigante e maior fabricante mundial de semicondutores, jogou um balde de água fria no mercado ao prever uma escassez de memória RAM que deve se intensificar e prolongar, pelo menos, até 2027.

Essa não é uma projeção qualquer. Ela vem direto da boca do leão, durante a divulgação dos resultados trimestrais da empresa. A demanda por chips de memória está crescendo a um ritmo que a capacidade de produção atual simplesmente não consegue acompanhar.

Nossa oferta está muito aquém da demanda dos clientes. Com base apenas na demanda prevista para 2027, a diferença entre oferta e demanda para 2027 deverá aumentar ainda mais do que em 2026.

Foi o que afirmou Kim Jaejune, executivo da divisão de chips de memória, deixando claro o tamanho do desafio que a indústria enfrenta.

A principal razão para essa pressão é a expansão acelerada dos data centers, todos sedentos por mais poder computacional para alimentar suas ambições em IA. Nomes como Google, Amazon e Microsoft continuam a despejar bilhões em infraestrutura, e isso coloca todo o foco dos fabricantes em chips mais avançados.

Consequentemente, a disponibilidade de componentes 'tradicionais' – aqueles usados nos nossos smartphones, consoles de videogame e todo tipo de eletrônico – diminui. Isso, como era de se esperar, puxa os preços para cima. Para piorar, construir novas fábricas de semicondutores é um processo demorado, que leva anos para sair do papel e começar a produzir em larga escala. A indústria não consegue reagir instantaneamente.

Ao fundo, gráfico financeiro; à frente, logo da Samsung em smartphone

Semicondutores impulsionaram receita da Samsung no primeiro trimestre de 2026

Samsung busca garantir fornecimento, mas desafios aumentam

A própria Samsung não está parada. Ela busca alternativas estratégicas, incluindo a assinatura de contratos plurianuais com clientes para garantir um certo nível de fornecimento. Detalhes específicos desses acordos não foram detalhados, mas a medida mostra a seriedade da situação. A empresa reconhece que a febre da IA manterá a demanda em níveis altíssimos por um longo período.

A lucratividade do setor de chips já reflete essa dinâmica. A divisão de chips da empresa registrou um lucro operacional recorde entre janeiro e março, como noticiou a Reuters. Os semicondutores foram, de fato, os grandes motores do desempenho trimestral da Samsung.

Mas essa bonança no setor de chips não vem sem custos para outras áreas. A divisão de smartphones da empresa, por exemplo, já sente a pressão na rentabilidade. A explicação é simples: o encarecimento dos componentes. O mesmo fenômeno afeta o segmento de displays, o que ilustra como essa escassez de uma ponta acaba se espalhando por toda a cadeia de produção.

Greves e geopolítica: mais nuvens no horizonte

Além da demanda insaciável por IA, outros fatores injetam ainda mais incerteza no cenário. Há a possibilidade de interrupções na produção, com sindicatos de trabalhadores na Coreia do Sul considerando a realização de uma greve. Se isso acontecer, a já delicada balança entre oferta e demanda pode desequilibrar ainda mais.

Mesmo com esforços para garantir estoques e diversificar fornecedores, a Samsung também se mantém vigilante a riscos externos. O aumento dos custos logísticos, por exemplo, é uma preocupação real, impulsionado pela alta do petróleo e pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio. Tudo isso se soma para criar um cenário de volatilidade.

Para o consumidor brasileiro, e para as empresas de tecnologia que dependem desses componentes, o recado da Samsung é claro: prepare o bolso e planeje-se para um período prolongado de preços potencialmente mais altos e, talvez, menor disponibilidade de produtos. Parece que a era da IA, apesar de todas as suas promessas, trará consigo um custo tangível para o hardware que a suporta.

Tags: memoria RAM escassez Samsung inteligencia artificial semicondutores

Perguntas Frequentes

Por que a escassez de memória RAM vai se intensificar?

A escassez se intensificará principalmente devido à expansão acelerada de data centers focados em inteligência artificial, que demandam chips de memória muito mais rapidamente do que a capacidade atual de produção da indústria.

Qual é a previsão da Samsung para a duração da escassez de memória RAM?

A Samsung prevê que o desequilíbrio entre oferta e demanda por memória RAM deve persistir e até se agravar, durando pelo menos até 2027.

Como a demanda por IA afeta os preços de outros eletrônicos?

A priorização de chips avançados para IA reduz a disponibilidade de componentes tradicionais, como os usados em smartphones e consoles, contribuindo para a alta de seus preços no mercado.

Quais são os principais fatores que contribuem para a escassez de chips?

Além da demanda por IA, a escassez é agravada pelo tempo necessário para construir novas fábricas, a possibilidade de greves de trabalhadores e o aumento dos custos logísticos devido a fatores geopolíticos.