Samsung alerta: escassez de RAM por conta da IA deve durar até 2027
A corrida pela inteligência artificial não mostra sinais de desaceleração, e o custo pode impactar diretamente o seu bolso. A Samsung, maior fabricante mundial de semicondutores, previu uma escassez de memória RAM que deve se intensificar e prolongar, pelo menos, até 2027.
Essa projeção não é trivial. Ela foi feita durante a divulgação dos resultados trimestrais da empresa. A demanda por chips de memória está crescendo em um ritmo que a capacidade de produção atual não consegue acompanhar.
Nossa oferta está muito aquém da demanda dos clientes. Com base apenas na demanda prevista para 2027, a diferença entre oferta e demanda para 2027 deverá aumentar ainda mais do que em 2026.
Foi o que afirmou Kim Jaejune, executivo da divisão de chips de memória, destacando a dimensão do desafio que a indústria enfrenta.
A principal razão para essa pressão é a expansão acelerada dos data centers, todos precisando de mais poder computacional para suas ambições em IA. Empresas como Google, Amazon e Microsoft continuam a investir bilhões em infraestrutura, e isso concentra o foco dos fabricantes em chips mais avançados.
Consequentemente, a disponibilidade de componentes "tradicionais" – aqueles usados em smartphones, consoles de videogame e outros eletrônicos – diminui. Isso, como esperado, eleva os preços. Para agravar a situação, construir novas fábricas de semicondutores é um processo demorado, que leva anos para ser concluído e iniciar a produção em larga escala. A indústria não consegue reagir instantaneamente.

Semicondutores impulsionaram receita da Samsung no primeiro trimestre de 2026
Samsung busca garantir fornecimento, mas desafios aumentam
A própria Samsung está agindo. A empresa busca alternativas estratégicas, como a assinatura de contratos plurianuais com clientes para garantir um certo nível de fornecimento. Detalhes específicos desses acordos não foram divulgados, mas a medida demonstra a seriedade da situação. A empresa reconhece que a demanda por IA manterá os níveis elevados por um longo período.
A lucratividade do setor de chips já reflete essa dinâmica. A divisão de chips da empresa registrou um lucro operacional recorde entre janeiro e março, conforme noticiou a Reuters. Os semicondutores foram, de fato, os grandes motores do desempenho trimestral da Samsung.
No entanto, essa prosperidade no setor de chips tem custos para outras áreas. A divisão de smartphones da empresa, por exemplo, já sente a pressão na rentabilidade. A explicação é simples: o encarecimento dos componentes. O mesmo fenômeno afeta o segmento de displays, o que ilustra como essa escassez em uma ponta se espalha por toda a cadeia de produção.
Greves e geopolítica: mais incertezas no cenário
Além da demanda crescente por IA, outros fatores adicionam incerteza ao cenário. Há a possibilidade de interrupções na produção, com sindicatos de trabalhadores na Coreia do Sul considerando a realização de uma greve. Se isso ocorrer, o delicado equilíbrio entre oferta e demanda pode desestabilizar ainda mais.
Mesmo com esforços para garantir estoques e diversificar fornecedores, a Samsung também se mantém atenta a riscos externos. O aumento dos custos logísticos, por exemplo, é uma preocupação real, impulsionado pela alta do petróleo e pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio. Tudo isso se soma para criar um cenário de volatilidade.
Para o consumidor brasileiro e para as empresas de tecnologia que dependem desses componentes, o aviso da Samsung é claro: prepare-se para um período prolongado de preços potencialmente mais altos e, talvez, menor disponibilidade de produtos. Parece que a era da IA, apesar de todas as suas promessas, trará consigo um custo tangível para o hardware que a sustenta.