Mapa-múndi estilizado com conexões digitais entre Brasil, Alemanha e Nova Zelândia, simbolizando a colaboração em cibersegurança e IA.

Ataques cibernéticos: Cresce colaboração Brasil, Alemanha e

Por Anselmo Bispo • 5 min de leitura

Ataques cibernéticos no Brasil triplicam e rede internacional de IA surge como resposta

A segurança digital do Brasil tem enfrentado um aumento significativo de ataques. Entre janeiro e fevereiro de 2025, o Gabinete de Segurança Institucional registrava uma média de 1.500 notificações de ataques cibernéticos e tentativas de invasão contra órgãos públicos. Esse número triplicou: até fevereiro deste ano, saltou para mais de 4.600 casos por mês, de acordo com o Centro de Prevenção, Tratamento e Respostas a Incidentes Cibernéticos do Governo Federal. No setor privado, dados do Fórum Econômico Mundial indicam que 72% das empresas perceberam o risco cibernético aumentar no último ano.

Diante desse cenário de ameaças, surge uma importante iniciativa: uma rede de colaboração científica entre Brasil, Nova Zelândia e Alemanha. O objetivo é claro: mitigar em tempo real os ataques de negação de serviço distribuídos (DDoS), utilizando a Inteligência Artificial (IA) aplicada à defesa de redes. É um esforço para ampliar a capacidade técnica do país, acelerar a inovação e posicionar o Brasil de forma mais robusta no cenário global da cibersegurança.

A iniciativa faz parte do programa CNPq/MCTI Conhecimento Brasil e reúne instituições de destaque. Do lado brasileiro, participam a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e a Universidade Federal do Rio Grande (FURG). No exterior, colaboram o Max Planck Institute for Informatics (Alemanha), a University of Waikato (Nova Zelândia) e a University of Wellington (Nova Zelândia).

IA e a força-tarefa contra o DDoS

Nesse projeto, um dos nomes de destaque é o da Dra. Michele Nogueira, PhD em Ciência da Computação pela Universidade de Sorbonne. Professora e pesquisadora da UFMG, ela realizou recentemente uma missão técnica internacional na University of Waikato, na Nova Zelândia. Lá, o foco da colaboração foi a segurança na internet, com ênfase em como as abordagens de Aprendizado de Máquina e Aprendizado Online podem reforçar a detecção, mitigação e adaptação a ataques distribuídos de larga escala.

A escolha da Nova Zelândia não foi aleatória. As universidades do país são reconhecidas pela sua excelência em IA, desenvolvendo ferramentas usadas por pesquisadores em todo o mundo. Além disso, promovem desafios constantes em cibersegurança, estimulando o avanço do setor e a integração de novos talentos.

“A rede permite ao Brasil acessar ativos que não estão disponíveis localmente para fazermos treinamentos e análises dos modelos. Da mesma forma, existe uma interação entre pesquisadores e alunos, possibilitando a criação de novos projetos e de acesso a mais recursos para as instituições brasileiras”, explica Michele Nogueira.

Intercâmbio de conhecimento com impacto duradouro

A agenda da pesquisadora na Nova Zelândia foi intensa, incluindo palestras, reuniões de planejamento e a integração de alunos de graduação e pós-graduação. Este não é um evento isolado, mas parte de uma série de missões. A Dra. Michele Nogueira indica que outros docentes brasileiros participarão de iniciativas semelhantes, e há planos para que professores neozelandeses venham ao Brasil.

As atividades desta rede de colaboração visam resultados duradouros, especialmente dentro do INCT em IA e Cibersegurança, sediado na UFMG e que conta com a University of Waikato como parceira. Os objetivos são ambiciosos e essenciais para a autonomia tecnológica do país:

“Nós fizemos um planejamento com uma série de outras atividades que se desenrolarão a partir dessas conversas iniciais, como a submissão de projetos, novos seminários, webinares entre outras ações”, informa Nogueira, demonstrando a visão de longo prazo para a parceria.

Liderança feminina na cibersegurança

Um aspecto relevante da cooperação é a liderança exercida por Michele Nogueira em um campo tradicionalmente masculino, o da cibersegurança. A University of Waikato é conhecida por seu engajamento na integração de mulheres nas ciências exatas, o que cria uma sintonia natural com o trabalho que a pesquisadora já desenvolve.

Nogueira é uma voz ativa no estímulo à presença feminina na cibersegurança, tendo desenvolvido e participado de várias iniciativas para impulsionar a diversidade na área. Sua atuação não só reforça a qualidade técnica da pesquisa, mas também serve como um exemplo para outras mulheres interessadas em tecnologia e segurança digital. Essa frente de atuação é crucial, considerando que a diversidade de pensamento pode trazer novas perspectivas e soluções para os desafios complexos da cibersegurança.

Com o aumento exponencial de ameaças e a sofisticação dos ataques, a colaboração internacional, aliada à inovação em IA e à força da diversidade, pode ser o escudo necessário para proteger o ambiente digital. O Brasil, ao se juntar a importantes centros de pesquisa em cibersegurança, dá um passo significativo para fortalecer suas fronteiras digitais.

Tags: cibersegurança inteligência artificial brasil inovação segurança cibernética

Perguntas Frequentes

Qual o principal objetivo da rede de colaboração em cibersegurança?

O objetivo central é mitigar ataques de negação de serviço distribuídos (DDoS) usando Inteligência Artificial, ampliando a capacidade técnica, acelerando a inovação e fortalecendo a posição do Brasil no cenário global de cibersegurança.

Quais instituições brasileiras e estrangeiras fazem parte dessa rede?

No Brasil, participam a UFMG, UFRGS e FURG. Internacionalmente, o Max Planck Institute for Informatics (Alemanha), a University of Waikato (Nova Zelândia) e a University of Wellington (Nova Zelândia).

Qual o papel da Dra. Michele Nogueira no projeto?

Ela é uma das pesquisadoras e professoras da UFMG que lidera a rede de colaboração, realizando missões técnicas internacionais para integrar abordagens de Machine Learning e Online Learning na defesa contra ataques cibernéticos.

Por que a Nova Zelândia é um parceiro importante nesta colaboração?

As universidades neozelandesas são renomadas em Inteligência Artificial e desenvolveram ferramentas internacionalmente reconhecidas. Além disso, elas promovem desafios de cibersegurança que fomentam o desenvolvimento do setor.

Quais são os resultados esperados a longo prazo desta colaboração?

A longo prazo, busca-se soberania digital, resiliência de redes para infraestruturas críticas e mobilidade acadêmica, com intercâmbio de estudantes e pesquisadores entre os países.