Ministra Luciana Santos em evento, ao lado de representantes da Finep e MCTI, com destaque para a assinatura de contratos de investimento em projetos aeroespaciais.

R$ 75 milhões para defesa: Brasil terá radares e lançador de

Por Pedro W. • 3 min de leitura

A soberania tecnológica nacional acaba de ganhar um impulso considerável. A Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) selaram, na última quinta-feira (18), a destinação de quase R$ 75 milhões para projetos estratégicos na indústria de defesa aeroespacial. O objetivo é claro: fortalecer as capacidades do país no monitoramento marítimo e no desenvolvimento de um veículo lançador de satélites.

Os recursos, divididos entre duas empresas brasileiras, buscam ampliar o domínio tecnológico em áreas críticas. Do montante total, R$ 49,7 milhões foram direcionados à Iacit, especializada em radares de horizonte, e R$ 25 milhões para a Bizu Space, focada em satélites e lançamento. Ambas as iniciativas estão entre as primeiras aprovadas na segunda rodada do programa Mais Inovação Brasil, voltado especificamente para a Base Industrial de Defesa.

"Não existirá soberania sem domínio tecnológico", afirmou a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, durante a SpaceBR Show, em São Paulo. Ela ressaltou que o apoio visa reduzir a dependência de tecnologias estrangeiras, fortalecendo a capacidade nacional.

Radares além do horizonte e a retomada espacial

A Iacit, com os R$ 49,7 milhões, vai aplicar o investimento no projeto conhecido como Manta (Monitoramento Avançado Naval com Tecnologia Adaptativa). Essa iniciativa promete ampliar significativamente a capacidade brasileira de vigilância marítima. O CEO da Iacit, Luiz Carlos Paiva Teixeira, enfatizou a exclusividade da tecnologia em território nacional. Segundo ele, "Somos a única empresa brasileira com essa tecnologia, dominada por poucos países no mundo". A tecnologia de radares além do horizonte permite detectar embarcações e aeronaves a distâncias que ultrapassam o limite da curvatura da Terra.

Já a Bizu Space, que recebe R$ 25 milhões, está envolvida no desenvolvimento do Micro Lançador Brasileiro (MLBR). Este veículo de pequeno porte, fruto de um consórcio de empresas brasileiras do setor aeroespacial, tem como meta pôr pequenos satélites em órbita a partir do próprio território nacional. Os fundos recém-liberados serão cruciais para o desenvolvimento de um terceiro estágio com propulsão líquida para o lançador, abrindo caminho para futuras aplicações em foguetes de maior capacidade.

Este não é o primeiro aporte para o MLBR; em 2023, o projeto já havia recebido cerca de R$ 180 milhões da Finep. Raphael Galate, cofundador e diretor financeiro da Bizu Space, vê esses investimentos como um catalisador para a retomada do setor espacial brasileiro. Ele acredita que o país está "super bem posicionado", com "muito talento, profissionais qualificados e uma posição privilegiada para fazer lançamentos", após um período de menor atividade no desenvolvimento do segmento.

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