A bolha que envolvia as projeções otimistas para o futuro parece ter estourado. Um levantamento do Atlantic Council, divulgado pelo IFLScience, reuniu 450 especialistas de várias esferas – do setor público a universidades e organizações sem fins lucrativos – para traçar um panorama global até 2036. E as notícias não são particularmente animadoras.
A pesquisa se debruçou sobre as ameaças mais prementes à prosperidade mundial, avaliando desde a chance de guerras entre grandes potências até a proliferação nuclear e, claro, o papel da inteligência artificial em cenários militares. A conclusão majoritária? O mundo estará em pior situação daqui a uma década, um reflexo do pessimismo generalizado em relação à estabilidade internacional.
Quase 30% dos participantes apontaram a possibilidade de uma guerra entre potências como a principal ameaça à prosperidade global nos próximos dez anos. Em segundo lugar, com 19% das menções, veio a crise climática. A polarização sobre um novo conflito mundial é notável: 58,8% acreditam que ele não ocorrerá, mas 41,2% consideram essa possibilidade bem real. Entre os que veem a guerra mundial como plausível, a região de Taiwan foi a mais citada como possível epicentro, seguida pela Europa Oriental e Oriente Médio.

Crise climática (Imagem: i am adventure – Shutterstock)
A IA na linha de frente e o risco nuclear
No cenário nuclear, a previsão é sombria: 85% dos entrevistados acreditam que mais países adquirirão armamentos nucleares na próxima década. Apesar disso, um alívio parcial: 78% pensam que essas armas não serão usadas em conflitos armados no mesmo período.
Um dos pontos mais intrigantes do levantamento é a inevitável ascensão da inteligência artificial em contextos de guerra. Mais da metade dos especialistas considera provável a ocorrência de combates espaciais com o uso de forças militares. O dado mais impactante, no entanto, revela que 73% afirmam que sistemas de IA poderão tomar decisões letais sem qualquer intervenção humana direta.

(Imagem: Alones/Shutterstock)
Apesar de o cenário militar parecer se inclinar para a autonomia das máquinas, a percepção sobre a inteligência artificial geral (IAG) é mais otimista: 58% dos especialistas acreditam que a IAG pode ser alcançada até 2036. Mais ainda, 56% avaliam que o impacto geral da IA será positivo ou, no mínimo, parcialmente positivo para o mundo. Contudo, o estudo ressalta uma limitação importante: a amostra foi composta majoritariamente por entrevistados dos Estados Unidos e com uma predominância masculina, o que pode introduzir um viés nas projeções apresentadas.