Celular Vertu Agent Q Stitched Calfskin na cor preta, detalhes dourados e textura de couro, ao lado do logo Vertu.

Celular de R$ 27 mil: Vertu planeja loja no Brasil em 2026?

Por Anselmo Bispo • 3 min de leitura

A Vertu, fabricante britânica de celulares de luxo, está mirando o mercado brasileiro e planeja abrir uma boutique no país em 2026. A informação foi confirmada ao site de tecnologia TecMundo pela própria empresa, que afirma estar estudando a chegada oficial nos próximos meses. Contudo, ainda não há detalhes sobre a localização da loja ou a abertura de um escritório local.

A marca ganhou holofotes recentemente no Brasil após a influenciadora Virgínia Fonseca exibir um de seus aparelhos nas redes sociais. O celular, avaliado em cerca de R$ 27 mil, rapidamente viralizou, despertando o interesse do público e levantando questionamentos sobre a exclusividade e os recursos dos dispositivos.

A ascensão da Vertu no Brasil e as polêmicas de engenharia

Embora presente no mercado internacional há anos, a Vertu só chamou a atenção dos brasileiros após Virgínia Fonseca mostrar o modelo Agent Q Stitched Calfskin. O aparelho se destacou pelo visual chamativo, acabamento premium com couro e detalhes metálicos, e o preço elevado. A empresa também promete inteligência artificial e câmeras diferenciadas, mas essas promessas não passaram ilesas de escrutínio.

A fama da Vertu no mercado de luxo não é recente. Criada originalmente pela Nokia como uma grife de alto padrão com sede na Inglaterra nos anos 2000, a empresa sempre focou em exclusividade, design sofisticado e produção limitada. Após uma falência em 2017, a marca retornou ao mercado em 2018 sob uma nova gestão em Hong Kong.

Apesar do prestígio, os celulares da Vertu estão envoltos em polêmicas. Criadores de conteúdo especializados em tecnologia investigaram as especificações da marca e levantaram dúvidas sobre a veracidade de alguns recursos. O youtuber Marques Brownlee, por exemplo, testou os aparelhos e afirmou que certas funcionalidades não operavam como anunciado. Segundo Brownlee:

“Entre os pontos criticados estavam a suposta abertura variável da câmera e o chamado zoom mecânico. Segundo Brownlee, os recursos não apresentavam, na prática, o comportamento esperado para tecnologias desse tipo — testes nos dados EXIF das fotos revelaram que o hardware mentia e que os efeitos eram apenas filtros digitais.”

Ele também apontou que o assistente de IA da marca dependia de funcionários humanos trabalhando da China para processar comandos e compras, contradizendo a promessa de inteligência artificial autônoma.

Outra investigação relevante veio do canal Mrwhosetheboss. O criador de conteúdo encontrou evidências de que os aparelhos da Vertu poderiam ser versões modificadas de smartphones da fabricante chinesa ZTE. Ele destacou que o código do sistema operacional, a interface da câmera e até a capacidade incomum da bateria (4.325 mAh) eram idênticos aos dos dispositivos da linha ZTE Nubia. A conclusão do youtuber é que a Vertu teria reaproveitado projetos existentes, alterando acabamento, software e identidade visual para vendê-los como produtos de alto padrão.

A empresa, por sua vez, ainda não detalhou a estrutura de sua operação no Brasil. Atualmente, os dispositivos da Vertu não são homologados pela Anatel e chegam ao país principalmente via importação. A estratégia de iniciar com uma boutique é comum no segmento premium, permitindo um atendimento personalizado e uma experiência de compra exclusiva para o público de alto padrão.

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