A crença popular de que jogar videogame é um mero passatempo, ou até algo que isola, pode estar com os dias contados. Uma pesquisa recente, publicada na JMIR Serious Games, sugere que alguns títulos e gêneros de videogames são aliados inesperados na luta contra a solidão e no desenvolvimento da resiliência emocional em adultos.
O estudo, intitulado The Effects of Open-World and Fun, Accessible Games on Perceived Loneliness and Stoicism in Adults: Cross-Sectional Survey Study, ouviu mais de 2 mil pessoas e chegou a uma conclusão intrigante: jogos como The Legend of Zelda: Breath of the Wild e Yoshi’s Crafted World parecem gerar respostas emocionais bastante positivas nos jogadores.
Para entender esse fenômeno, a pesquisa entrevistou 2.252 adultos, todos com mais de 20 anos, focando em seus hábitos de jogo, perspectiva emocional e o nível de solidão percebido. Os resultados foram claros: pessoas que dedicavam tempo a jogos de mundo aberto, a exemplo de títulos exclusivos do Nintendo Switch, e games mais descontraídos, como o já mencionado Yoshi’s Crafted World, relataram sentir-se menos isoladas em comparação com aqueles que não jogavam.
Mas os benefícios não param por aí. Os participantes que vivenciaram ambos os tipos de jogos da Nintendo também apresentaram pontuações mais elevadas em traços de estoicismo. Que, no contexto desta pesquisa, foi descrito como:
resiliência emocional, autocontrole e a capacidade de lidar com desafios sob pressão.
Ao portal EurekAlert!, o coautor do estudo, Andreas Eisingerich, compartilhou a principal percepção da equipe:
Ao contrário do estereótipo do gaming como mero escapismo, descobrimos que jogos open-world, acessíveis e alegres podem ajudar a promover uma mentalidade resiliente e estoica e a aliviar a solidão.

Yoshi proporcionou restauração de baixo risco em entrevistados da pesquisa (Reprodução/Nintendo)
É importante frisar que esses benefícios emocionais foram observados em gêneros bastante específicos, e não podem ser generalizados para o universo dos videogames como um todo.
Um auxílio, não uma cura
Apesar dos impactos emocionais positivos registrados em quem joga The Legend of Zelda: Breath of the Wild e Yoshi’s Crafted World, o estudo da JMIR Serious Games faz uma ressalva importante: ele não sugere que jogar videogame deva substituir o acompanhamento profissional de saúde mental.
No entanto, a pesquisa aponta que essas experiências com jogos podem produzir um “suporte psicológico sinérgico”. Isso as posiciona como uma opção com “excelente custo-benefício para intervenções de saúde mental pública que enfrentam a epidemia de solidão”. A ideia é que, embora não substituam a terapia, os games podem ser uma ferramenta complementar valiosa. Em contrapartida, é válido lembrar que o excesso de jogos também pode levar ao esgotamento, conhecido como Gaming Burnout.