A bolha que envolvia o RG de papel está estourando, e em seu lugar emerge a Carteira de Identidade Nacional (CIN). Mas, afinal, correr para emitir o novo documento agora é uma necessidade ou a pressa pode esperar? A decisão, você vai ver, não é igual para todo mundo.
Ao contrário daquele RG que cada estado emitia com um número diferente — gerando aquela confusão de identidades para uma mesma pessoa —, a CIN surge com uma proposta diferente e mais forte: o CPF como registro único em todo o território nacional. E mais: ela já nasce com uma alma digital, integrada ao aplicativo Gov.br, trazendo a promessa de um Brasil mais conectado e seguro.
Desde o seu lançamento, milhões de brasileiros já aderiram. A ideia do governo é clara: combater fraudes e simplificar o acesso a serviços públicos. Mas será que essa revolução da identificação já bate à sua porta, ou você ainda tem tempo para se organizar? A resposta depende muito do seu perfil de uso e da sua interação com o ecossistema digital do governo.

Quem deve priorizar a CIN?
A dúvida de muitos é se vale a pena gastar tempo e energia para emitir a CIN neste exato momento. A verdade é que a urgência varia muito de caso a caso. Para quem já vive online e depende de serviços digitais do governo com frequência, a troca já se mostra bastante vantajosa.
A Carteira de Identidade Nacional (CIN) funciona integrada ao aplicativo gov.br - disponível para Android e iPhone (iOS) - e permite acessar a versão digital do documento pelo celular, além de facilitar o login em plataformas públicas que exigem validação de identidade.
Essa integração significa, na prática, menos burocracia e mais agilidade. Imagine resolver um serviço público em poucos toques no celular, sem precisar de senhas extras ou complicação. Além disso, o CPF como número único é um divisor de águas, minimizando antigos problemas causados pela existência de múltiplos RGs. A CIN ainda incorpora recursos de segurança avançados, como QR Code para validação e biometria facial, dificultando fraudes e conferindo maior confiabilidade tanto em interações presenciais quanto digitais.
Quando a espera compensa?
Por outro lado, não há uma obrigatoriedade imediata para a maior parte da população. O RG antigo ainda é um documento válido em todo o país até 2032, conforme o decreto 10.877/2022. Ou seja, se o seu RG atual está em bom estado e você não é um usuário assíduo dos portais governamentais, pode respirar tranquilo.
No entanto, a situação muda para beneficiários de programas sociais do Governo Federal que ainda não possuem cadastro biométrico em bases oficiais. Para esse grupo, a CIN será exigida antes dos demais, com um prazo que se estende até o último dia de 2026. Já aqueles que recebem benefícios e já têm a biometria registrada — seja na Justiça Eleitoral ou na CNH — terão um período mais longo para se adequar, com a obrigatoriedade começando apenas em janeiro de 2028.
Há também grupos específicos que estão isentos da obrigatoriedade do cadastramento biométrico, como pessoas com mais de 80 anos, migrantes, refugiados, apátridas, brasileiros que vivem no exterior, e cidadãos com dificuldades de locomoção ou residentes em áreas de difícil acesso. Para esses, a emissão da CIN Digital pode não ser uma prioridade imediata.
Como funciona a emissão e o que esperar
O processo para obter a CIN começa de forma presencial. O cidadão deve agendar um atendimento em um dos órgãos responsáveis pelo serviço em seu estado, como institutos de identificação, Poupatempo, Detran ou Polícia Civil. O agendamento é usualmente feito pela internet, através dos serviços estaduais disponíveis no portal Gov.br. No dia e local marcados, é preciso apresentar os documentos exigidos, fazer a coleta biométrica e confirmar os dados cadastrais. Após a emissão da versão física, a identidade digital pode ser acessada pelo aplicativo Gov.br, basta seguir as instruções do app.
A transição para a CIN representa um passo importante na digitalização e na segurança da identificação no Brasil, um projeto alinhado com as tendências globais de governo digital. Embora a conveniência da versão digital e a segurança do número unificado sejam inegáveis, a flexibilidade nos prazos permite que cada cidadão avalie sua própria necessidade, evitando a corrida desnecessária para quem ainda não se beneficia plenamente das novidades.