Imagem de chips NVIDIA que são usados em inteligência artificial e que foram alvo de contrabando.

NVIDIA: trio preso por contrabandear chips para China via Ja

Por Anselmo Bispo • 2 min de leitura

As restrições impostas pelos Estados Unidos à exportação de chips de IA da NVIDIA para o mercado chinês têm gerado um efeito colateral preocupante: o aumento do contrabando desses componentes. Promotores de Taiwan acabam de prender três suspeitos, acusando-os de desviar chips de inteligência artificial da empresa para a China, utilizando uma rota de transbordo que passava pelo Japão para burlar as sanções.

Este é o primeiro processo criminal público em Taiwan relacionado ao desvio de chips de IA, e já provoca fortes repercussões diplomáticas entre Taipé, Tóquio e Washington. Entre os detidos está Yih-Shyan “Wally” Liaw, vice-presidente sênior de desenvolvimento de negócios e membro do conselho da Super Micro Computer. Os outros dois suspeitos são Ruei-Tsang “Steven” Chang, gerente de vendas baseado em Taiwan, e Ting-Wei “Willy” Sun, um prestador de serviços.

Roteiro do contrabando: Japão como escala

O trio é acusado de falsificar documentos de declaração de exportação. O objetivo era esconder que servidores da Super Micro, equipados com os chips restritos da NVIDIA, tinham como destino final a China. Essas três pessoas já haviam sido formalmente indiciadas pela justiça americana em março, sob a acusação de integrar uma rede global de contrabando avaliada em US$ 2,5 bilhões.

A investigação anterior apontava para uma rota que movia os servidores através de uma rede envolvendo os EUA, Taiwan, Tailândia, Hong Kong e China. A novidade do caso atual está na descoberta de uma nova rota: uma que passa pelo Japão. Investigadores taiwaneses apontam que ao menos uma remessa utilizou o país como ponto intermediário. Os produtos foram declarados como exportações legítimas para o território japonês e, uma vez lá, eram redirecionados para a China.

GPUs da NVIDIA para IA

GPUs da NVIDIA são as melhores para IA em larga escala e a China não pode usar a maioria delas (Imagem: NVIDIA/Reprodução)

O caso marca uma mudança de postura de Taiwan, que historicamente resistia à pressão de Washington para fiscalizar o fluxo de semicondutores, devido aos seus complexos laços comerciais com Pequim. Para o Japão, a revelação traz pressões para o endurecimento de suas próprias regras de reexportação e um maior compartilhamento de dados de inteligência com Taiwan.

Apesar de a China ainda depender de terceiros para a produção de chips de CPU e GPU, ela tem demonstrado avanços significativos em outras áreas. A produção de memória RAM DDR5, por exemplo, é um setor onde o país tem acelerado como nunca.

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