Freepik agora é Magnific: nova fase com foco em IA e receita de US$ 200 milhões
A empresa, antes conhecida por seu vasto repositório de imagens gratuitas, anunciou uma mudança significativa: agora se chama Magnific. Essa transformação não é apenas uma alteração de nome, mas uma consolidação como plataforma de inteligência artificial de ponta, prometendo impactar o cenário da criação digital.
Essa reinvenção já mostra resultados expressivos: US$ 200 milhões em receita anual recorrente, mais de 1 milhão de assinantes pagantes e uma base de mais de 250 clientes corporativos. Empresas como BBC, DeliveryHero e Guess já utilizam a plataforma para gerenciar fluxos de trabalho de IA generativa em suas equipes criativas, indicando a confiança do mercado.
A história da empresa começou em Málaga, na Espanha, em 2010, como Freepik. Naquela época, funcionava como um motor de busca para recursos gráficos. "Começamos sem capital algum, três amigos com grandes sonhos", lembra o CEO Joaquín Cuenca:
“Não sabíamos o que construiríamos. Apenas sabíamos que não nos sentíamos confortáveis em ficar parados. Encontramos coisas novas para construir. Agora encontraremos novas histórias para contar.”
A mudança para Magnific — nome que veio de uma aquisição feita pelo Freepik em maio de 2024, de uma ferramenta de upscaling de imagens via IA — ajudou a unificar a visão da empresa. A ferramenta se destacou a ponto de ser nomeada pela Andreessen Horowitz como a principal empresa de IA generativa da Europa em número de usuários, competindo com grandes nomes americanos do setor.
Joaquín Cuenca destaca que o problema nunca foi o produto em si quando ele era fragmentado, mas a percepção. Clientes viam "fragmentos: Freepik como acervo, Magnific como um upscaler".
“Esta é a primeira vez que o sistema completo é visível como uma única plataforma.”
A ascensão da classe criativa 'sem colarinho'
A mudança reflete uma tendência de mercado: a transição de ferramentas isoladas para uma infraestrutura criativa completa e integrada. E, segundo Joaquín Cuenca, uma nova era para os profissionais de criação, que ele denomina “economia do sem-colarinho” (no-collar economy).
A visão de Cuenca desafia a narrativa pessimista de que a IA poderia eliminar empregos criativos. Ele acredita que, assim como a revolução digital não eliminou contadores, mas os capacitou para tarefas mais complexas, a IA fará o mesmo pelos criativos.
“A revolução industrial criou os empregos de colarinho-azul e a revolução digital criou os empregos de colarinho-branco. Os criativos estão prestes a se tornar mais poderosos do que se esperava. Essa é a economia sem-colarinho. A economia de pessoas que não usam colarinho. E já está em andamento.”
De experimentos a campanhas robustas
As equipes corporativas não estão mais apenas experimentando com ferramentas criativas de IA; elas estão construindo campanhas completas. As mais de 250 empresas parceiras da Magnific utilizam a plataforma para diversas tarefas, desde a geração de ativos visuais e prototipagem até a escalabilidade de conteúdo para campanhas globais.
O plano corporativo da empresa, lançado em janeiro de 2026 e voltado para equipes menores, já superou 2.000 assinaturas em apenas seis semanas, com uma tendência de crescimento de cerca de 150 novas equipes por semana. Isso indica uma mudança estrutural, onde o custo e a complexidade da produção de conteúdo de alta qualidade estão diminuindo.
Segundo a empresa, 72% dos novos criadores que chegam à plataforma se identificam como iniciantes. Isso mostra que o que antes exigia um estúdio, uma equipe completa e um investimento considerável, hoje pode ser realizado por indivíduos com as ferramentas certas.
“No futuro, faremos filmes como escrevemos livros. Uma pessoa com uma visão e as ferramentas para executá-la.”
A unificação sob a Magnific reúne funcionalidades historicamente distintas — como geração de imagens, vídeo, upscaling, áudio e ferramentas colaborativas — em um ambiente integrado. Isso permite que a plataforma ofereça uma experiência completa que abrange:
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Os melhores modelos de imagem e vídeo do mercado, incluindo 4K com áudio.
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Tecnologia de upscaling de IA líder no setor.
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Um ambiente de colaboração em tempo real usado por dezenas de milhares de criadores diariamente.
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Ferramentas exclusivas para criação 3D e cenas virtuais.
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Uma biblioteca com mais de 250 milhões de ativos criativos.
Para o Brasil, essa tendência pode significar que pequenas e médias agências, freelancers e até mesmo criadores de conteúdo independentes terão acesso a ferramentas antes restritas a grandes corporações. A barreira de entrada para a produção de conteúdo visualmente rico será reduzida, democratizando as possibilidades e potencialmente impulsionando uma nova onda de inovação local. Resta saber como o mercado brasileiro, tradicionalmente interessado em inovações, absorverá essa onda de ferramentas e como os profissionais se adaptarão a essa nova era de criação.