A corrida pela supremacia em inteligência artificial está esquentando, e a China não está apenas participando: ela está ditando o ritmo. Nomes como Deepseek, que antes chamavam atenção, agora veem suas posições ameaçadas por competidores internos mais fortes. Duas plataformas, em particular, se destacam nesse cenário e já mostram capacidade de superar rivais ocidentais de peso, como a Anthropic, criadora do Claude. Falamos do Doubao e do Kimi.
Essa ascensão de players chineses é um tema recorrente na indústria. Diogo Cortiz e Helton Simões Gomes, no podcast Deu Tilt, recentemente destacaram essa mudança. Eles apontaram que Doubao e Kimi estão na vanguarda, redefinindo o patamar de desempenho em IA.
O que move a ascensão chinesa em IA?
A discussão sobre o avanço destas IAs chinesas não é novidade. Já em fevereiro e março de 2024, analistas notaram que a China havia se tornado um centro de inovação em modelos de linguagem. O país conta com 130 modelos de linguagem de grande porte (LLMs), representando 40% do total global. Este número é significativo, especialmente quando se compara aos 50 LLMs desenvolvidos pelos Estados Unidos.
A quantidade, no entanto, não é o único fator. A qualidade e o impacto dessas plataformas também são cruciais. Doubao, por exemplo, é parte do conglomerado ByteDance. Lançado globalmente como com uma interface simples de chatbot, ele oferece uma ampla gama de funcionalidades. Suas capacidades incluem geração de texto, imagem e fala, além de suporte para até 100 mil caracteres chineses em uma única entrada, uma característica notável para aplicações de grande escala.
Kimi, por sua vez, é desenvolvido pela Moonshot AI. Esta startup, avaliada em US$ 2,5 bilhões, rapidamente atraiu investimentos significativos, incluindo aportes do gigante Alibaba, do Meituan e da própria ByteDance. O Kimi se destaca por sua capacidade de lidar com entradas de até 200 mil caracteres chineses, superando o Doubao nesse aspecto e, consequentemente, a maioria dos modelos de IA ocidentais.
"A China produziu 130 modelos de linguagem de grande porte, 40% do total global [...] enquanto os Estados Unidos desenvolveram 50 LLMs", aponta o podcast Deu Tilt, evidenciando a escala da inovação chinesa.
Essas plataformas não são apenas para uso doméstico. Elas já começam a competir globalmente, oferecendo alternativas robustas aos modelos ocidentais. A capacidade de processar grandes volumes de texto em chinês é uma vantagem competitiva inegável, dado o tamanho do mercado e a complexidade da língua.
O cenário mostra uma aceleração na inovação de IA na China. Os investimentos maciços e o foco no desenvolvimento de LLMs de alto desempenho estão claramente dando frutos, posicionando empresas chinesas como líderes em áreas que antes eram dominadas por companhias ocidentais. A Anthropic, que já foi vista como uma das principais rivais do OpenAI, agora precisa lidar com a concorrência vinda do oriente, que não para de inovar e expandir suas capacidades.
Diogo Cortiz e Helton Simões Gomes, no podcast Deu Tilt, seguem acompanhando de perto essas tendências, e o programa vai ao ar às terças-feiras no YouTube do UOL, no Spotify, no Deezer e no Apple Podcasts.