A bolha que envolvia os usuários do X (antigo Twitter) estourou para quem ainda não tem o selo de verificação. De forma abrupta e, para muitos, silenciosa, a plataforma impôs limites severos: agora, contas sem autenticação estão restritas a meros 50 posts originais e 200 respostas por dia. Uma guinada e tanto, considerando que, até pouco tempo, o mesmo tipo de conta podia publicar até 2.400 vezes diariamente. A notícia, que pegou muitos de surpresa, sugere mais um capítulo na controversa gestão de Elon Musk.
Essa mudança, que pode parecer sutil à primeira vista, é na verdade um corte drástico de cerca de 95% na capacidade de interação de grande parte dos usuários. Segundo informações publicadas pelo Engadget, a nova regra foi discretamente atualizada na página de ajuda do serviço. Embora versões antigas da documentação, ainda presentes no cache de buscas, apontem para o limite de 2.400 postagens, o X já exibe mensagens de erro em tempo real quando os usuários atingem as novas cotas.
No centro da questão está a intenção da plataforma de reduzir spam e atividades de bots na rede, uma justificativa familiar para quem acompanha as decisões recentes da empresa. A mesma lógica foi usada, por exemplo, na introdução do recurso que revela a localização base de uma conta. O problema é que, na prática, essa medida acaba por penalizar não apenas os bots, mas também usuários legítimos que utilizam o X de forma intensa. A linha entre bot e usuário engajado parece cada vez mais tênue na visão da gestão atual.

Plataforma é acusada de ser conivente com erotização de imagens pela IA Grok (Imagem: Erlin Diah/Shutterstock)
O impacto real da medida para o usuário comum
Essa nova restrição não afeta apenas a guerra contra os bots. Ela redefine a experiência de uso para milhões de pessoas, incluindo jornalistas, influenciadores, ativistas e desenvolvedores que dependem do X como ferramenta de comunicação e networking. Um limite de 50 posts e 200 respostas significa que, em poucos minutos de engajamento ativo, um usuário pode ver sua conta bloqueada para novas publicações, forçando-o a esperar até o dia seguinte ou, inevitavelmente, a considerar a assinatura de um dos planos pagos.
Os valores das assinaturas no Brasil, por exemplo, não são exatamente irrisórios para quem já tem que lidar com os custos de vida. O plano Básico, que custa cerca de R$ 15,75 por mês, oferece recursos como edição de posts. O Premium, por aproximadamente R$ 42 mensais, adiciona o cobiçado selo de verificação e um alcance maior às publicações. Já o Premium+, por cerca de R$ 115 por mês, remove a maior parte dos anúncios e promete prioridade máxima na plataforma. Essas alternativas pagas são a única saída para quem busca manter o ritmo de interação de antes.
A decisão de Elon Musk, de certo modo, segue uma tendência vista em outras plataformas de mídias sociais que buscam monetizar mais a base de usuários ativos. No entanto, a draconiana redução de 95% pode ser vista como um movimento arriscado. Usuários insatisfeitos já estão debatendo alternativas e buscando outras redes, o que poderia minar a base de usuários que a plataforma tenta reter. A experiência do usuário, historicamente um pilar do sucesso de qualquer rede social, parece estar em segundo plano quando as métricas de monetização são o foco principal.
Apesar da justificativa de combater o spam e o abuso, a percepção generalizada é que a plataforma está empurrando qualquer um que queira usá-la de forma mais intensiva para os braços das assinaturas pagas. Resta ver se essa estratégia, que já gerou bastante barulho e descontentamento, conseguirá o efeito desejado de aumentar a receita sem alienar os milhões de usuários que ainda consideram o X um espaço valioso de troca de informações e ideias. O futuro dirá se a estratégia de apertar o cinto dos usuários orgânicos trará mais lucro ou mais debandadas.