A tensão no cenário tecnológico global ganhou um novo capítulo. Os Estados Unidos decidiram não incluir a DeepSeek, uma das principais desenvolvedoras chinesas de inteligência artificial de código aberto, em sua lista negra de exportação. No entanto, a empresa e mais de outras 100 firmas chinesas foram adicionadas a uma nova lista de 'não verificadas', significando que serão submetidas a inspeções comerciais rigorosas.
Essa medida, divulgada pelo Departamento de Comércio dos EUA, reflete uma abordagem cautelosa. Segundo a agência reguladora, as empresas não serão banidas de adquirir chips e componentes americanos, ao contrário do que acontece com entidades na lista negra de exportação. Em vez disso, a inclusão na lista 'não verificada' sinaliza uma vigilância mais intensa, com a possibilidade de escalada para a lista negra caso haja falha nas inspeções.
A DeepSeek se destaca no cenário de IA por desenvolver modelos de linguagem de grande porte (LLMs) que rivalizam com tecnologias ocidentais, como o GPT-4. Seu modelo de 67 bilhões de parâmetros, lançado em 2024, apresentou desempenho superior ao do GPT-4 na avaliação AlpacaEval 2.0. A empresa também lançou recentemente o DeepSeek-Coder, um modelo de codificação de 33 bilhões de parâmetros, e o DeepSeek-V2, um LLM capaz de processar janelas de contexto de até 2 milhões de tokens, superando o GPT-4o neste quesito.
Outra empresa notável na lista 'não verificada' é a Biren Technology, startup chinesa de chips que, em 2022, foi adicionada à lista negra de exportação após o Departamento de Comércio dos EUA alegar que a empresa estava apoiando os militares chineses. A nova lista 'não verificada' se diferencia, indicando um nível de risco que ainda não justifica um banimento completo.
Por que a nova lista ‘não verificada’ importa?
Esta nova designação permite que o governo dos EUA realize inspeções in loco para garantir que os componentes e tecnologias americanos não sejam desviados para uso militar ou outras atividades consideradas prejudiciais à segurança nacional. A falha em cooperar ou em passar nessas verificações pode levar à inclusão na temida lista negra de exportação, o que impede as empresas de adquirir qualquer tecnologia ou componente dos EUA.
A decisão de não banir imediatamente a DeepSeek e outras empresas de IA sugere um reconhecimento da complexidade da cadeia de suprimentos global e da interdependência tecnológica. No entanto, é um aviso claro de que o escrutínio sobre o desenvolvimento de IA na China e suas possíveis implicações para a segurança nacional americana continuará a ser uma prioridade.
A lista, que inclui 107 empresas adicionais de vários setores, marca um ponto de virada na estratégia dos EUA. Em vez de uma proibição generalizada, a abordagem é de monitoramento e auditoria, colocando a bola no campo das empresas chinesas para provar sua conformidade. Se falharem, a porta para a lista negra permanece aberta, com consequências significativas para o seu acesso a tecnologias cruciais.