Smartphone com o logo do Google em exibição, representando o contexto da empresa.

Funcionário do Google lucra US$ 1,2 mi em apostas: como?

Por Anselmo Bispo • 3 min de leitura

A linha entre informação privilegiada e fraude é tênue, e parece que um funcionário do Google a cruzou sem pensar duas vezes. Michele Spagnuolo, que trabalhava para a gigante da tecnologia, agora enfrenta acusações federais nos Estados Unidos por supostamente ter transformado dados internos confidenciais em uma bolada de US$ 1,2 milhão (R$ 6 milhões) em apostas. O palco para esse lucro inesperado foi o Polymarket, um mercado de previsões online.

Spagnuolo foi formalmente acusado de fraude de commodities, fraude eletrônica e lavagem de dinheiro, segundo promotores federais. A principal alegação é que ele tinha acesso a resultados de apostas antes que se tornassem públicos, tudo porque possuía os valiosos dados internos do Google. A prisão ocorreu em Nova York, na quarta-feira (27), e ele foi liberado após pagar uma fiança de US$ 2,2 milhões (R$ 11,4 milhões).

“conhecia o resultado dessas apostas antes do público porque teve acesso aos dados internos confidenciais e comercialmente valiosos do Google”

Logo do Google em um smartphone

Spagnuolo aproveitou que tinha acesso aos dados sigilosos da empresa para apostar e lucrar milhões de dólares – Imagem: daily_creativity/Shutterstock

O pseudônimo e a aposta “improvável”

As apostas de Spagnuolo, feitas sob o nome de usuário “AlphaRacoon”, começaram a chamar a atenção em dezembro do ano passado. Veículos como a Forbes e usuários de redes sociais notaram o padrão de acertos relacionados a tendências de busca.

Um exemplo notável foi sua previsão de que um cantor chamado D4vd seria a pessoa mais pesquisada no Google em 2025. Isso ocorreu apesar de o Polymarket ter atribuído uma “probabilidade quase zero” a essa possibilidade. Ao mesmo tempo, ele apostou que o Papa Leão XIV e Kendrick Lamar não apareceriam nas listas “Year in Search 2025” do Google.

Essas listas são particularmente difíceis de prever. O Google explica que os termos são ranqueados anualmente com base no “maior aumento de tráfego”, e não no volume total de buscas, entre 1º de janeiro e 25 de novembro de 2025. Ter acesso a esses dados de tendências antes de qualquer outro jogador no mercado de previsões daria a Spagnuolo uma vantagem inegável.

A tentativa de ocultar os ganhos

Depois de concretizar seus lucros, Spagnuolo teria tomado medidas para esconder a origem do dinheiro. “Depois que venceu, Spagnuolo tomou medidas deliberadas para ocultar seu uso ilegal de informações não públicas, tentando obscurecer a fonte e a propriedade de seus ganhos ilegais”, diz a denúncia.

Este não é o único caso recente de fraude envolvendo o Polymarket. No mês passado, os promotores federais também acusaram Gannon Ken Van Dyke, um soldado do Exército dos EUA, de fraude. Ele supostamente fez uma aposta de US$ 400 mil (R$ 2 milhões) no Polymarket sobre a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro. O desdobramento desses casos pode ter implicações significativas para a regulamentação dos mercados de previsões.

Tags: Google fraude Polymarket informação privilegiada crime digital