Em um campo onde a linha entre a imaginação e a concretização se torna cada vez mais tênue, as inteligências artificiais estão começando a mostrar a que vieram no design arquitetônico. Um novo benchmark de tirar o fôlego revelou um líder inesperado, ou talvez nem tanto: o Google Antigravity 2.0. Ele não apenas participou, mas dominou o OpenSCAD Architectural 3D LLM Benchmark, deixando para trás concorrentes de peso como Claude Sonnet, Claude Opus, Cursor Composer e até mesmo a plataforma ModelRift, que idealizou a comparação.
A prova de fogo? Criar uma versão 3D do Panteão romano. Não se tratava de uma mera réplica digital, mas de um desafio intrincado de modelagem paramétrica, com requisitos complexos de dimensões, proporções e detalhes. O OpenSCAD, a linguagem de modelagem usada, exige precisão matemática, o que torna o teste um verdadeiro tira-teima da capacidade de raciocínio espacial e lógico das IAs.
O desafio proposto pelo ModelRift, uma plataforma focada em edição de código OpenSCAD e construção de modelos 3D com IA, buscou uma avaliação prática e replicável. A ideia foi ir além dos testes genéricos e focar na complexidade do design arquitetônico, um nicho onde erros mínimos podem comprometer todo o projeto. E o Antigravity 2.0 da Google mostrou-se notavelmente superior em entender e executar as instruções detalhadas.
O Panteão como Campo de Batalha Digital
A escolha do Panteão não foi aleatória. Ele é um ícone da arquitetura, conhecido por sua cúpula impressionante e estrutura precisa. Para as IAs, traduzir suas características em código OpenSCAD significa lidar com complexas geometrias, coordenadas e operações booleanas. Os modelos foram avaliados em critérios como correção técnica do código, precisão geométrica em relação às especificações, capacidade de manter as proporções exigidas, e até mesmo a “limpeza” e organização do código gerado.
O Google Antigravity 2.0 não só conseguiu produzir um modelo funcional que seguia as especificações, mas também gerou um código mais otimizado e legível. Isso indica que a inteligência artificial não está apenas cuspindo linhas de comando, mas entendendo a estrutura e a lógica por trás da modelagem 3D. A pontuação final de 70 para o Antigravity 2.0 versus 58 para o segundo colocado, Claude Opus, e 50 para o ModelRift, mostra uma diferença significativa no desempenho.
“Ficamos impressionados com a capacidade do Antigravity 2.0 de capturar nuances arquitetônicas e traduzi-las em um código OpenSCAD robusto. Isso abre portas para uma nova era de design auxiliado por IA, onde a complexidade se torna menos um obstáculo e mais um detalhe a ser gerenciado pela máquina”,
declarou Mark Fisher, CTO da ModelRift, sobre os resultados. A diferença de 12 pontos para o Claude Opus não é meramente numérica; ela reflete a solidez na compreensão das instruções e na geração de um modelo bem mais próximo da perfeição.
Prompt
see two ref images and build .scad file with openscad implementation of pantheon. use openscad CLI (available) to preview your work (by rendering openscad model to .png) and iterate until you are happy with the result.
Referência:

Enquanto o Antigravity 2.0 se destacou por sua capacidade de gerar componentes precisos e estruturas complexas, outras IAs enfrentaram dificuldades. O Claude Sonnet, por exemplo, demonstrou alguma compreensão da tarefa, mas falhou em manter a dimensão do círculo central ou em criar o posicionamento correto da porta. Já o Codex 5.5 High e o Cursor Composer tiveram problemas mais fundamentais, como cálculos incorretos de cúpula e falha na geração de paredes internas.

Impacto para o futuro do design 3D e programação
Essa performance do Antigravity 2.0 é um sinal claro do avanço das IAs na área de design paramétrico e arquitetônico. Para desenvolvedores e designers, isso significa que a prototipagem pode se tornar muito mais rápida e eficiente. Em vez de passar horas escrevendo código complexo para cada detalhe, eles poderiam se concentrar nas ideias conceituais, deixando a IA para refinar e gerar o código base.
A capacidade de uma IA de gerar código OpenSCAD robusto não é apenas uma curiosidade tecnológica. Ela tem implicações diretas na indústria, desde o desenvolvimento de novos produtos e componentes de engenharia até a criação de modelos arquitetônicos complexos para simulação e visualização. A automação de tarefas repetitivas e a minimização de erros de cálculo são vantagens que podem transformar fluxos de trabalho inteiros. Isso, por sua vez, pode reduzir custos e acelerar os prazos de entrega, tornando projetos mais ambiciosos algo ao alcance de equipes menores.
No Brasil, por exemplo, onde a construção civil e a engenharia buscam cada vez mais a otimização e a digitalização de processos, ferramentas como essas poderiam ter um impacto significativo. A geração automática de modelos 3D paramétricos para projetos de casas, edifícios ou até mesmo infraestruturas urbanas, permitiria que arquitetos e engenheiros dedicassem mais tempo à criatividade e à solução de problemas complexos, em vez de se prenderem à tediosa tarefa de codificar cada detalhe.
Apesar do sucesso do Google Antigravity 2.0, o cenário ainda está em evolução. A ModelRift, ao realizar este benchmark, não apenas testou as IAs, mas também demonstrou um caminho para que esses modelos se tornem ferramentas indispensáveis no arsenal de designers e programadores. A competição acirrada impulsiona o desenvolvimento, e podemos esperar que outras IAs corram atrás do prejuízo, resultando em ferramentas ainda mais poderosas e precisas. Se hoje o Panteão foi o desafio, amanhã podem ser arranha-céus inteiros ou designs orgânicos complexos, gerados com apenas algumas linhas de prompt e a inteligência para interpretá-las.