A inteligência artificial avança para agentes autônomos no Google Cloud
A inteligência artificial está superando a fase de meros assistentes de texto e busca um papel muito mais ambicioso: o de agentes autônomos, capazes de executar tarefas complexas e tomar decisões sem intervenção humana direta. É o que o Google Cloud chama de "era agêntica", um conceito que ganhou força no evento Google Cloud Next '26 e que, segundo a empresa, já está em desenvolvimento no Brasil.
Milena Leal, a executiva que assumiu a operação brasileira do Google Cloud neste ano, descreve a mudança com clareza. "Já não estamos falando de chatbots. Estamos falando de agentes que conseguem executar processos completos, tomar decisões e operar junto das equipes", afirmou Leal. Essa visão é central na estratégia do Google para o mercado corporativo, onde a IA não apenas auxilia, mas se integra como uma nova camada operacional.
Agentes autônomos: a nova fronteira da IA corporativa
O cenário atual já mostra um crescimento. Segundo dados apresentados por Leal, 62% dos líderes empresariais brasileiros já utilizam agentes de IA em suas organizações. Mas o que diferencia esses novos agentes dos modelos generativos que conhecemos até agora? A resposta está na autonomia.
Enquanto os primeiros modelos dependiam de comandos específicos para cada ação, os agentes da era agêntica evoluíram em capacidade. Eles conseguem realizar tarefas contínuas, acessar sistemas corporativos, cruzar vastas bases de dados, automatizar processos repetitivos e até interagir com funcionários em tempo real. A IA não é mais uma ferramenta passiva, mas um ator ativo na dinâmica empresarial.
Milena Leal destaca que essa "nova revolução" é possível porque o Google construiu uma infraestrutura completa. "O Google desenha desde os chips até os modelos e aplicativos", explicou a executiva, apontando para uma infraestrutura verticalmente integrada que sustenta essa nova geração de IA.
Gemini Enterprise: IA no fluxo de trabalho
Para acelerar a adoção dessa tecnologia, o Google aposta no Gemini Enterprise, uma plataforma corporativa que visa integrar agentes de IA diretamente no dia a dia dos funcionários. A meta é tornar a IA tão presente quanto o e-mail ou a planilha.
Entre as novidades apresentadas no Google Cloud Next '26, destacam-se:
Agent Designer: Uma ferramenta para criar agentes de longa duração, dedicados a tarefas complexas e contínuas.
Inbox e Skills: Um ambiente para gerenciar tarefas automatizadas e criar atalhos para atividades rotineiras, reduzindo a repetição manual.
Canvas: Um espaço integrado para produzir e editar arquivos sem a necessidade de alternar entre diferentes aplicativos.
"O objetivo é colocar os agentes na mão de cada funcionário de uma maneira simples e flexível", reiterou Leal. A ideia é democratizar o acesso a essa IA avançada, tirando-a dos laboratórios e colocando-a nas operações.
A infraestrutura por trás dos agentes: o Agentic Data Cloud
A capacidade desses agentes não depende apenas de algoritmos sofisticados, mas também de um volume massivo e bem organizado de dados. Para isso, o Google inaugurou o Agentic Data Cloud, uma infraestrutura projetada para alimentar esses sistemas autônomos com dados empresariais.
Dentro desse ambiente, a empresa apresentou o Deep Research Agent, um analista autônomo que promete substituir a pesquisa manual demorada. Ele é capaz de cruzar bancos de dados estruturados e documentos corporativos para responder a perguntas complexas, fornecendo citações exatas e informações precisas.
Para Milena Leal, a corrida pela inteligência artificial corporativa não será vencida apenas pela inteligência dos modelos, mas pela solidez da infraestrutura que os sustenta. "Tudo isso é sustentado pela vantagem de uma infraestrutura full stack, projetada em conjunto desde os chips até os aplicativos e modelos, o que garante eficiência e governança desde a origem do sistema", sublinhou a executiva.
Governança e segurança: um desafio para a IA?
A expansão da IA dentro das empresas trouxe uma preocupação crucial: a governança. Com agentes de IA operando processos inteiros, a necessidade de controle, rastreabilidade e segurança aumentou.
Milena Leal enfatiza que essa integração e controle desde a base são prioritários. "O cliente quer velocidade, mas quer governança desde a origem", afirmou. A estratégia do Google, portanto, passa por concentrar IA, infraestrutura, dados e segurança em uma arquitetura única, garantindo que a autonomia dos agentes não signifique perda de controle ou riscos à segurança.
Essa abordagem integrada é um aceno à crescente demanda por responsabilidade e transparência no uso da IA, especialmente em um contexto como o brasileiro, onde a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados) impõe rigorosos requisitos de segurança e privacidade. Essa "era agêntica" trará mais eficiência ou novos desafios para a conformidade?