Gramado Summit 2026: Startups e Investidores em Foco

Gramado Summit 2026: Startups e Investidores em Foco

Por Miguel Viana • 5 min de leitura

Os pavilhões da Gramado Summit, na pitoresca Serra Gaúcha, viraram palco de uma efervescência incomum. Empreendedores, investidores e entusiastas de tecnologia se esbarraram em busca de algo mais que um simples aperto de mãos: a próxima grande ideia, o networking que pode mudar um negócio ou o capital que fará uma startup decolar. O evento, que começou na quarta-feira (6) e se encerrou na sexta (8), foi um caldeirão de inovação, onde a tecnologia, como de costume, foi a peça-chave.

Mas, para além dos pitches e demonstrações, um tema recorrente ganhou tração nos corredores: a necessidade de um planejamento estratégico robusto, que vai da saúde financeira à gestão de equipes. Afinal, como lembrou o consultor e palestrante Gustavo Cerbasi, autor de 16 livros sobre inteligência financeira, "primeiro, definimos a estratégia financeira para a empresa ganhar força. Antes de distribuir resultados, nutrimos o negócio, pois um negócio valorizado gera valor futuro."

O Segredo para Escalar: Mais que Tecnologia, Gestão Humanizada

Cerbasi sublinhou que, antes de pensar em distribuir lucros, é crucial fortalecer a base da empresa. Ele defende uma "simplicidade por alguns ciclos" no padrão de vida pessoal do empresário, um esforço conjunto que permite à empresa "se distanciar da concorrência". Sem essa disciplina, "o lucro é drenado para o consumo, permitindo que concorrentes revisitem melhor e superem o negócio original", explica o especialista. Ou seja: de nada adianta ter uma ideia genial se a casa não estiver em ordem.

Por outro lado, a gestão de pessoas não fica em segundo plano. Para Cerbasi, ter profissionais qualificados e de confiança é vital. "Padronizar e formalizar a gestão é fundamental para gerar valor no longo prazo", complementa, ressaltando que a tecnologia, por si só, não compra o sucesso. Ela precisa de uma equipe coesa e bem informada para operar em sintonia.

Dados que Viram Vendas: Ouro Escondido na Operação

Em um mundo cada vez mais movido por dados, a Gramado Summit também virou alvo de discussões sobre como extrair valor das informações já existentes nas empresas. Na Arena Fecomércio-RS, a consultora de negócios Jessica Matos trouxe uma perspectiva crucial: antes de correr atrás da última novidade tecnológica, o empreendedor precisa olhar para dentro.

Durante sua palestra "Dados que Viram Vendas", Matos enfatizou que a inteligência de mercado muitas vezes "já está disponível dentro da empresa, bastando apenas um olhar analítico para transformar informações represadas em resultados comerciais". Ela questionou a plateia com perguntas diretas: "Por que o meu cliente sai da loja sem comprar?" ou "Por que não consigo converter todos os potenciais clientes que chegam pelo WhatsApp?".

"Temos muitas dúvidas cotidianas, e as respostas geralmente estão nos indicadores. Costumo dizer que o indicador é o passo um de uma jornada: precisamos olhar para ele para gerar insights e inputs que direcionem a tomada de decisão", pontua Matos. Para ela, o grande recurso para responder a essas questões não está fora, mas sim na capacidade de analisar a própria operação. É uma virada de chave: a tecnologia não é um fim, mas uma ferramenta para decifrar o que já está ali.

O Paradoxo da IA: Muito Investimento, Pouca Aplicação Real

Essa necessidade de "olhar para os fundamentos" da inovação foi reforçada por Gelson Junqueira, coordenador do Lab Fecomércio-RS, que integra o programa Connecting Lab – iniciativa que conecta empresas a soluções tecnológicas. Junqueira revelou um dado que azedou o clima para alguns: embora 80% das empresas atendidas invistam em Inteligência Artificial, "menos de 5% utilizam as ferramentas com propósito real".

Essa discrepância acende um sinal de alerta. Para mudar esse cenário, Junqueira aconselha os participantes da Gramado Summit a absorverem o máximo de conhecimento, mas com um filtro. "Assista ao máximo de palestras que puder, mas escolha apenas um insight para colocar em prática", orienta. "Com uma ideia aplicada, o evento se paga; com duas, ele dá lucro." É uma forma de pisar no freio no entusiasmo excessivo e focar na execução.

Da Metrópole à Serra: Uma Solução que Ganhou Escala

As discussões teóricas ganharam vida nos corredores do evento, com startups apresentando suas soluções. A Bah Dev, de Gravataí, por exemplo, trouxe uma plataforma para centralizar a gestão de associações, cooperativas, redes de franquias e operações de TI. A ideia, que surgiu há cerca de seis anos, ganhou escala em 2024, quando a empresa desenvolveu uma plataforma que integrou todos os canais de atendimento das Farmácias Associadas em um único portal.

Gabriel Sommariva, um dos sócios da startup, explicou que a ferramenta "potencializou o marketing por meio de encartes e cards digitais, gerando um aumento de 60% no alcance das informações aos associados". Ele destaca que a plataforma mitigou um problema crucial: a compra de produtos por terceiros, que drenava a rentabilidade da cooperativa. "Com a nossa plataforma, o cliente encontra descontos promocionais e dados internos em um único local, facilitando sua rotina operacional", complementa.

A Bah Dev, que participa da Batalha de Startups da Gramado Summit, vê o evento como um catalisador para novos investimentos. Para Sommariva, a principal dica para quem quer empreender é simples: "Quando você tem uma ideia, precisa validá-la, ver se ela é aderente ao mercado e pesquisar seus concorrentes para entender o que estão fazendo e moldar o seu produto a partir disso."

Seja como for, a Gramado Summit reforçou que o sucesso no mundo tech não depende apenas de um código bem escrito ou de uma interface bonita. Ele exige inteligência financeira, gestão de pessoas, capacidade analítica e, acima de tudo, a coragem de começar e a disciplina para executar. E você, qual insight levaria para casa para aplicar de imediato?

Tags: startups Gramado Summit investimento tecnologia inovação