A ideia de iniciar um blog, mesmo que o mundo já tenha muitos, surgiu da necessidade de explorar uma convicção: o processo importa mais que a tecnologia. Essa premissa ganha ainda mais força na era da Inteligência Artificial (IA), transformando o modo como encaramos a engenharia de software.
A IA mudou radicalmente a economia da engenharia rigorosa. Práticas que antes eram consideradas caras ou demoradas, como especificações executáveis, testes de mutação e camadas de verificação formal, agora são economicamente viáveis.
As ferramentas são gratuitas, e o poder computacional é acessível. O único obstáculo reside em nossa forma de pensar a construção de software.
Ao criar este blog, a abordagem foi tratar o projeto da mesma maneira pela qual acredito que todo software deveria ser construído. Não como um projeto de fim de semana, mas como um esforço gerenciado, com processo definido, infraestrutura como código, um pipeline de publicação e segurança por padrão desde o início.
Este artigo, que você confere aqui no Brasil Vibe Coding, detalha essa jornada de construção. Não é um tutorial, mas sim um relato das decisões, do raciocínio e dos custos envolvidos.
Começando pelo porquê, não pelo como
A primeira decisão foi intencional: nenhum código antes que o processo fosse definido. Essa abordagem é fundamental em qualquer projeto de engenharia moderno.
Antes de escolher uma plataforma ou gerador de site estático, foi elaborado um guia de estilo. Ele abrange a voz, o tom, as regras de formatação e os padrões editoriais para cada postagem. Por exemplo: inglês britânico, sem travessões, sem emojis, parágrafos em vez de listas e extensão entre 1.200 e 1.800 palavras.
Em seguida, foram escritas especificações BDD em Gherkin, descrevendo o comportamento do pipeline de publicação. O que acontece ao enviar um arquivo Markdown para a branch principal? E se a postagem for marcada como rascunho? E se ela já existir na plataforma de destino?
O comportamento do pipeline foi totalmente especificado antes que uma única linha de YAML de fluxo de trabalho existisse. Essa é a abordagem que defendo na entrega de software, e seria um erro ignorá-la em meu próprio projeto, como acompanhamos aqui no Brasil Vibe Coding.
Escolhendo a plataforma
A decisão da plataforma se resumiu a uma pergunta simples: onde o conteúdo reside e quem o possui? A escolha recaiu sobre o Hashnode como plataforma principal, com um domínio personalizado.
Ele é gratuito, permite domínios personalizados sem custo, possui uma API GraphQL para publicação automatizada e suporta diagramas Mermaid (que podem ser versionados como código). A comunidade de desenvolvedores integrada oferece visibilidade sem a necessidade de construir uma audiência do zero.
A publicação cruzada acontece no Dev.to via sua API REST, automatizada pelo mesmo pipeline. O Medium é uma etapa manual, utilizando sua funcionalidade de importação de URL. Sua API não emite mais novos tokens de integração, tornando a automação inviável para essa plataforma. O pipeline, no entanto, lida com isso de forma elegante: é documentado, repetível e leva cerca de 30 segundos.
Todo artigo republicado define sua URL canônica de volta para blog.nuphirho.dev. Isso é inegociável. O domínio personalizado constrói autoridade de SEO ao longo do tempo. As plataformas proporcionam alcance. Ambos são importantes, mas a posse do conteúdo vem em primeiro lugar.
O domínio
O domínio raiz, nuphirho.dev, é mantido deliberadamente separado do blog. O blog está em blog.nuphirho.dev. A raiz hospeda uma página estática simples no GitHub Pages, garantindo flexibilidade para futuras implementações.
A escolha do TLD .dev foi consciente. Ele está na lista de pré-carregamento HSTS, o que significa que os navegadores se recusam a carregá-lo via HTTP simples. Não há opção de insegurança. O Cloudflare adiciona uma segunda camada de SSL/TLS e CDN.
O Hashnode provisiona automaticamente um certificado Let's Encrypt para o domínio personalizado. Isso representa o HTTPS aplicado em três camadas independentes, antes mesmo da publicação de qualquer conteúdo.
Em um mundo onde a IA gera código e as pessoas lançam software que não compreendem totalmente, os padrões de segurança são mais importantes do que nunca. Este blog reforça esse princípio desde a infraestrutura.
Infraestrutura como código
Tudo é gerenciado com Terraform. A configuração DNS do Cloudflare, incluindo o CNAME do blog apontando para o Hashnode, os registros A da raiz apontando para o GitHub Pages e o redirecionamento www, tudo é declarado em arquivos HCL versionados.
O estado do Terraform é armazenado no Cloudflare R2, que é compatível com S3 e está dentro do plano gratuito. Isso significa que toda a infraestrutura pode ser recriada ou modificada de forma programática e segura, com automação e controle de versão.
"A IA nos permite automatizar tarefas repetitivas e focar na complexidade do design e da arquitetura, mas a qualidade do processo ainda é fundamental", afirma um especialista em desenvolvimento de software.