Mapa mostrando a localização dos terremotos detectados na Antártida.

Antártida: IA detecta 500+ terremotos misteriosos; o que cau

Por Anselmo Bispo • 3 min de leitura

A Antártida Oriental esconde mais segredos do que imaginávamos. Uma equipe internacional de pesquisadores fez uma descoberta que virou de cabeça para baixo o que se sabia sobre a atividade sísmica no continente gelado: mais de 500 terremotos profundos foram identificados em uma região onde, teoricamente, eles não deveriam existir. O mais intrigante é que essa revelação só foi possível graças à aplicação de Inteligência Artificial.

A pesquisa, publicada na renomada revista Science, detalha como técnicas avançadas de IA foram cruciais para analisar um vasto volume de dados sísmicos. Os cientistas estudaram informações coletadas por 49 estações de monitoramento espalhadas pela Antártida Oriental. Para localizar os eventos, foi empregado um sistema de aprendizado profundo, capaz de filtrar sinais sísmicos em meio ao ruído de fundo.

Essa tecnologia permitiu a identificação de 510 terremotos de profundidade intermediária, concentrados sob a geleira David. Eles ocorreram em profundidades entre 100 e 150 quilômetros, com magnitudes que variaram de 1,6 a 3,5. Embora essas magnitudes sejam consideradas baixas em comparação com grandes terremotos globais, a simples ocorrência deles nesta localização desafia os modelos geológicos existentes.

Mapeamento dos terremotos na Antártida

Mapeamento dos terremotos na Antártida – Imagem: Ho et al., Science , 2026

Por que essa região não costuma ter terremotos?

O grande mistério reside no fato de que a região da Antártida Oriental, onde esses tremores foram detectados, está longe dos limites entre placas tectônicas. Essas fronteiras são, tradicionalmente, os locais de maior atividade sísmica na Terra. Os pesquisadores afirmam que eventos desse tipo são um desafio direto ao que se conhece sobre a tectônica de placas.

Terremotos intraplaca (eventos que ocorrem no interior das placas, longe das margens ativas) desafiam o paradigma tradicional da tectônica de placas, que indica que o interior das placas deve sofrer pouca deformação.

O desafio se aprofunda ainda mais pela profundidade em que os terremotos foram registrados. Nessas condições de temperatura e pressão, a ocorrência de rupturas nas rochas é normalmente dificultada. Para mapear esses tremores, a equipe analisou o comportamento de diferentes tipos de ondas sísmicas. A comparação entre ondas P (que atravessam qualquer material) e ondas S (que se propagam apenas por rochas sólidas) possibilitou a identificação de fraturas subterrâneas e o cálculo de sua localização precisa.

Mapeamento dos terremotos na Antártida

Temperatura e pressão, além de peculiaridades locais, provavelmente tiveram influência no surgimento dos terremotos – Imagem: Ho et al., Science , 2026

O que pode ter causado os terremotos?

Apesar de a região não estar em uma fronteira tectônica ativa, ela se encontra próxima de um limite litosférico. Esse limite separa duas estruturas geológicas distintas: uma placa mais espessa e fria da Antártida Ocidental e outra que se estende por...

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