A Intel parece ter encontrado uma alternativa altamente lucrativa para a crise de chips. A gigante passou a vender processadores que, em condições normais, seriam descartados como lixo eletrônico.
Casey Harrell, paralisado pela ELA e incapaz de se comunicar claramente, encontrou na tecnologia uma nova voz. Nos últimos três anos, ele utiliza uma interface cérebro-computador (BCI) que o permite trabalhar, se reconectar com entes queridos e até ler para a filha. Para Harrell, como ele próprio disse, essa tecnologia é "nada menos que revolucionária!"
Desde julho de 2023, quando Harrell recebeu o implante, uma equipe da Universidade da Califórnia, Davis, tem trabalhado para aprimorar o dispositivo. Eles não só melhoraram sua precisão, mas também adicionaram funcionalidades como um modo de privacidade e um "filtro de palavrões", permitindo que Harrell converse com sua filha sem preocupações.
A história de Harrell é um exemplo do avanço vertiginoso no campo das BCIs. O número de pessoas com eletrodos cerebrais implantados mais do que dobrou desde 2024, chegando a cerca de 150. Empresas como Neuralink, Synchron e Neuracle (China) estão com testes ativos, impulsionando a pesquisa e a aplicação dessa tecnologia.
A tecnologia que devolve a independência
O dispositivo de Harrell funciona com eletrodos em seu cérebro que captam a atividade elétrica ligada à fala. Esses eletrodos se conectam a duas portas no topo de sua cabeça, que podem ser plugadas a um computador. O computador, por sua vez, usa um software treinado para decodificar os sinais cerebrais em fonemas, prevendo o que Harrell quer dizer. Ele ainda pode usar um rastreador ocular para corrigir erros antes que a fala seja reproduzida em voz alta.
Existem diferentes tipos de BCIs. Enquanto o dispositivo de Harrell precisa ser "plugado", outros são totalmente implantados e sem fio. Algumas abordagens são menos invasivas, utilizando eletrodos na superfície do cérebro ou até mesmo um capacete com eletrodos. A regra é: quanto mais próximo dos neurônios, melhor o sinal, mas maior o risco cirúrgico.
As BCIs também possuem funções variadas. Embora Harrell tenha ELA, a maioria dos implantes atuais está em pacientes com lesões na medula espinhal, que podem ter paralisia nos membros, mas mantêm a capacidade de falar. Nesses casos, as BCIs podem ser usadas para controlar outros dispositivos que auxiliam na mobilidade.
Crescimento exponencial e desafios persistentes
Em 2024, Michelle Patrick-Krueger, então na Universidade de Houston, e sua equipe publicaram um levantamento sobre os testes de BCI realizados entre 1998 (quando se acredita que o primeiro dispositivo foi implantado) e o final de 2023. Eles identificaram 21 grupos de pesquisa que, juntos, testaram BCIs em um total de 67 voluntários.
“Desde então, esse número aumentou muito”, afirma Mariska Vansteensel, uma ...
A China, inclusive, tornou-se o primeiro país a aprovar uma BCI para uso médico este ano, um marco que sublinha a aceleração do campo. A tecnologia continua a evoluir, oferecendo cada vez mais funcionalidades, desde o controle básico de cursor até a decodificação completa da fala com clonagem de voz.
Apesar dos avanços, alguns mistérios persistem. Pesquisadores ainda não compreendem totalmente por que os dispositivos, eventualmente, param de funcionar em alguns pacientes. Essa é uma das grandes questões que a ciência precisa desvendar para garantir a longevidade e a eficácia dessas interfaces revolucionárias.