A SpaceX, a gigante aeroespacial de Elon Musk, está se preparando para voar alto no mercado financeiro. A empresa não apenas projeta uma avaliação "astronômica" de US$ 1,75 trilhão na Nasdaq, como também pode ser incluída rapidamente em índices de peso como o Nasdaq 100 e o S&P 500 após sua oferta pública inicial (IPO).
Essa inclusão não é trivial e envolve um processo complexo, especialmente para uma companhia com o leque de atuação da SpaceX. Analistas e investidores já começam a especular sobre a melhor forma de se posicionar, e o investimento indireto via índices setoriais surge como uma alternativa.
Quando uma empresa abre capital, entidades como a S&P Global e a MSCI são as guardiãs da classificação setorial. Com atividades que vão de foguetes a internet via satélite, passando por data centers e inteligência artificial com o Grok, a definição do "setor" da SpaceX é um quebra-cabeça.
Onde a SpaceX se encaixaria no S&P?
O processo de classificação começa com a alocação em uma das 163 "subindústrias", refinando-se para 74 "indústrias", depois para 25 "grupos industriais", até chegar a um dos 11 setores do S&P. A MSCI e a S&P analisam quatro grandes camadas, mas o critério principal é a origem da maior parte da receita.
Conforme o documento S1 da SpaceX, os "segmentos de Espaço e Conectividade contribuíram com a grande maioria da nossa receita consolidada no trimestre encerrado em 31 de março de 2026 e no ano encerrado em 31 de dezembro de 2025". Isso mostra o "benefícios de escala e alavancagem operacional do nosso modelo de negócios verticalmente integrado", diz o documento.
O braço "espaço" abrange lançamentos de foguetes e missões, principalmente com Falcon 9, Falcon Heavy e Dragon, para clientes comerciais e governamentais. Já a "conectividade" é o Starlink, que em 2025 gerou mais de US$ 11 bilhões em receita com sua internet de alta velocidade. O negócio espacial, por sua vez, representou cerca de US$ 4 bilhões no mesmo ano.
Um terceiro pilar crucial é a inteligência artificial, especialmente com a plataforma Grok, ligada à xAI de Musk. Esse segmento, que também opera data centers em Memphis (Tennessee) e Southaven (Mississippi), teria gerado US$ 3,2 bilhões em 2025.
Considerando a receita do Starlink, a SpaceX provavelmente seria classificada no setor de Serviços de Comunicação do S&P. Este setor já abriga gigantes como Alphabet, Meta, Netflix e Echostar – empresa que, curiosamente, detém entre 2% e 3% da própria SpaceX. Outros nomes no mesmo setor incluem AT&T, Verizon, Charter Communications e Walt Disney.
No entanto, a SpaceX também poderia ser uma candidata ao setor industrial, que inclui empresas de defesa e aeroespaciais, como Boeing, Northrop Grumman e General Dynamics. Representantes da MSCI e da S&P ponderam que, além da receita, "lucros e percepção de mercado também são considerados informações relevantes e entram na análise durante a revisão anual".
Mesmo com operações terrestres em data centers, Elon Musk já acena para o futuro da computação de IA no espaço. Em um fórum de investimentos em 2025, ele afirmou que, a longo prazo, a maneira mais barata de rodar computação de IA seria com satélites movidos a energia solar. "No futuro de quatro a cinco anos, o menor custo de computação de IA será com satélites de IA movidos a energia solar", disse Musk.