A Xiaomi Corp. divulgou, nesta terça-feira (26), resultados financeiros que colocam um holofote na turbulência do mercado de tecnologia. A gigante chinesa registrou uma queda de 57% no lucro líquido do primeiro trimestre de 2026, comparado ao mesmo período do ano anterior, atingindo 4,72 bilhões de yuans (cerca de US$ 695 milhões). O número superou as expectativas negativas dos analistas, que já previam uma retração de 52%.
A receita da empresa também não escapou do cenário adverso. Ela recuou 11%, chegando a 99 bilhões de yuans. Essa é a primeira vez em quase três anos que a Xiaomi enfrenta um declínio trimestral em sua receita, embora o valor tenha ficado alinhado com as projeções do mercado.

Impacto dos chips de memória
A principal razão apontada pela empresa para o desempenho abaixo do esperado é a escalada nos preços dos chips de memória. Segundo noticiou a Bloomberg, este fator impactou severamente o segmento de smartphones, que é o carro-chefe da Xiaomi.
“A fabricante tem sido apontada como a maior vítima entre as principais fabricantes globais de dispositivos móveis na atual crise de escassez desses componentes.”
A queda no lucro trimestral foi o dobro da registrada no quarto trimestre de 2025, o que sinaliza uma piora nas condições de mercado. A alta volatilidade no setor de semicondutores tem pressionado as margens de lucro da empresa. Para piorar, a Xiaomi enfrenta dificuldades para repassar o aumento de custos aos consumidores em um mercado cada vez mais competitivo.
Os números divulgados pela companhia refletem um período desafiador para toda a indústria de smartphones. A Xiaomi, em particular, sente de forma aguda os efeitos combinados do aumento dos custos dos componentes e da desaceleração da demanda global. A empresa não deu projeções para os próximos trimestres, mas analistas do mercado esperam que a pressão sobre as margens persista enquanto os preços dos chips de memória não apresentarem sinais de alívio.