Exemplo de mapa de localização do Instagram mostrando pontos e usuários, com ícones de perfil.

Instagram com localização ao vivo: Meta sob investigação?

Por Miguel Viana • 3 min de leitura

A Meta, empresa-mãe do Instagram, está sob os holofotes no Brasil por conta de uma nova funcionalidade da rede social: o compartilhamento de localização de usuários ao vivo. A novidade, que já está disponível no país, rapidamente atraiu a atenção do Ministério da Justiça e Segurança Pública, que foi acionado para investigar a gigante da tecnologia.

A iniciativa de pedir a investigação partiu da CTRL-Z, uma entidade dedicada à defesa dos direitos digitais. Eles acreditam que a ferramenta pode trazer riscos significativos à privacidade e segurança dos usuários brasileiros. A preocupação central gira em torno da potencial exposição de dados sensíveis e da facilitação de situações de perigo.

Por que a CTRL-Z acionou o Ministério da Justiça?

A entidade argumenta que o recurso de mapa ao vivo do Instagram, ao exibir a localização exata dos usuários, pode violar princípios fundamentais da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). A CTRL-Z levantou questões sobre o consentimento adequado dos usuários para o compartilhamento de dados tão específicos e sobre as medidas de segurança adotadas pela Meta para proteger essas informações.

“O compartilhamento da localização em tempo real, mesmo que opcional, pode ser mal interpretado ou configurado de forma inadvertida por muitos usuários, especialmente os mais jovens, expondo-os a riscos desnecessários”, afirma um representante da CTRL-Z no pedido de investigação.

A entidade também destacou a lacuna entre a compreensão dos usuários sobre as configurações de privacidade e as implicações de compartilhar sua localização em tempo real com sua rede de contatos. A facilidade com que a função pode ser ativada, sem um aviso ostensivo sobre os perigos potenciais, é um dos pontos cruciais da denúncia.

Quais os possíveis desdobramentos para a Meta?

O Ministério da Justiça, ao receber a denúncia, deverá analisar a conformidade da funcionalidade com a legislação brasileira, em especial a LGPD e o Marco Civil da Internet. Caso sejam encontradas irregularidades, a Meta poderá ser notificada para prestar esclarecimentos e, dependendo do caso, pode ser alvo de sanções ou ter que ajustar a forma como a funcionalidade é oferecida no Brasil.

Este não é o primeiro caso em que empresas de tecnologia são questionadas sobre o uso de dados de localização. A precisão e a ubiquidade dos smartphones tornaram a localização um dos dados mais sensíveis e valiosos, e sua exposição gera debates constantes sobre privacidade versus conveniência. A denúncia da CTRL-Z evidencia a vigilância contínua da sociedade civil sobre as práticas das grandes plataformas digitais no que tange à proteção de dados pessoais.

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