Um médico analisando dados complexos gerados por inteligência artificial em uma tela, com gráficos e informações médicas

IA na saúde: médicos podem ser processados por erros da tecn

Por Pedro W. • 3 min de leitura

A inteligência artificial promete revolucionar a medicina, mas traz consigo um dilema legal espinhoso: quem responde quando a tecnologia erra? Médicos e o Serviço Nacional de Saúde (NHS) do Reino Unido podem ser processados por negligência médica caso ferramentas de IA falhem em diagnósticos ou sugestões de tratamento, é o que alertam os ministros.

A preocupação central é que, com a legislação atual, os profissionais de saúde e o próprio sistema de saúde podem ser responsabilizados por danos ou mortes de pacientes. Isso ocorreria mesmo que a falha original tenha sido causada pela inteligência artificial, não por uma decisão humana direta.

Um chamado para a modernização da lei

A Medical Protection Society (MPS), uma organização global que oferece apoio e proteção a profissionais de saúde, é a voz por trás deste alerta. Eles defendem uma revisão urgente da lei para que os médicos não sejam os únicos a carregar o fardo da responsabilidade por falhas tecnológicas. A MPS acredita que, sem essa mudança, a hesitação em adotar tecnologias avançadas pode se tornar um obstáculo para o progresso na saúde.

“Os médicos estão preocupados com a responsabilidade legal que se segue à tomada de decisões com o apoio de ferramentas de IA”, afirmou um porta-voz da MPS. “É essencial que a lei seja atualizada para refletir a complexidade do uso da IA na prática clínica. Sem isso, corremos o risco de inibir a inovação e o potencial da IA para melhorar o atendimento ao paciente.”

A introdução de IA em áreas críticas como diagnóstico e gestão de tratamento, embora promissora, levanta questões fundamentais sobre a quem atribuir a culpa quando as coisas dão errado. A natureza autônoma de alguns sistemas de IA complica ainda mais essa questão. Se um algoritmo sugere um tratamento inadequado que resulta em dano, a falha é do médico que seguiu a sugestão, da empresa que desenvolveu o software ou da instituição que o implementou?

Para a MPS, o objetivo não é eximir completamente os médicos de responsabilidade, mas sim garantir que o sistema legal seja justo e compreenda as nuances da interação entre o profissional e a ferramenta de IA. Eles argumentam que a lei deve diferenciar entre erros humanos e falhas sistêmicas ou algorítmicas, criando um ambiente onde a inovação é incentivada sem comprometer a segurança do paciente.

A discussão não se limita apenas ao Reino Unido. O debate sobre a responsabilidade legal da IA na saúde é global e afeta todos os países que planejam ou já estão implementando essas tecnologias. A rápida evolução da inteligência artificial exige que as estruturas legais acompanhem esse ritmo, evitando que o progresso tecnológico seja refém de leis obsoletas.

Tags: inteligência artificial saúde negligência médica NHS Medical Protection Society