Logotipo da Meta exibido durante a conferência Viva Technology em Paris, França.

Meta coleta dados de funcionários para IA: legal na UE?

Por Pedro W. • 3 min de leitura

A Meta, gigante por trás do Facebook e Instagram, parece ter uma nova dor de cabeça na Europa. Um plano da empresa para coletar registros detalhados sobre o uso de computadores de seus próprios funcionários, com o objetivo de treinar modelos de inteligência artificial, está sendo criticado na União Europeia. O ponto central da controvérsia é que essa coleta de dados se mostra mais abrangente do que o inicialmente divulgado e, aparentemente, inclui informações de fora dos Estados Unidos.

Documentos internos, que foram consultados pela Reuters, revelam a extensão dessa iniciativa. A empresa visa coletar uma vasta gama de dados de funcionários, incluindo desde o conteúdo de mensagens privadas até informações sobre reuniões e calendários. O plano abrange até mesmo o uso de recursos internos da companhia. Essas informações seriam, então, usadas para aprimorar seus modelos de IA.

O que os documentos internos revelam?

A documentação indica que o escopo da coleta de dados é bastante amplo. Além das mensagens e reuniões, a Meta planeja registrar informações sobre o tempo que os funcionários gastam em diferentes programas, os sites que visitam e até mesmo detalhes sobre as suas interações com outros softwares internos. O objetivo declarado é criar um conjunto de dados robusto e diversificado que possa alimentar o desenvolvimento e o treinamento de novas ferramentas de inteligência artificial.

O problema é que essa abordagem esbarra em regulamentações de privacidade de dados bastante rigorosas na União Europeia, como o GDPR (Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados). Autoridades europeias de proteção de dados já expressaram preocupação com o plano, questionando a legalidade e a ética de coletar tal volume de informações sensíveis de funcionários, especialmente sem um consentimento explícito e informado, ou uma base legal clara que justifique a prática.

A discussão não é nova para a Meta, que já enfrentou diversos embates com reguladores de privacidade na Europa por conta de suas políticas de dados. A empresa, por sua vez, afirma que todas as suas práticas estão em conformidade com as leis de privacidade aplicáveis. No entanto, a documentação interna sugere uma abrangência que pode ser difícil de justificar sob as leis europeias.

A extensão da coleta de dados para além das fronteiras dos EUA é um ponto crucial, pois sujeita a Meta a um escrutínio ainda maior por parte das autoridades europeias. A falta de transparência sobre o que exatamente será coletado e como será usado, assim como a ausência de opções claras de controle para os funcionários, são pontos que devem ser abordados pela empresa para evitar sanções e reforçar a confiança de sua equipe.

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