Homem com capuz digitando em frente a múltiplos monitores, representando a prática de pentest e segurança ofensiva em um ambiente tecnológico avançado.

Pentest em 2026: por que a remediação ainda é um problema?

Por Anselmo Bispo • 4 min de leitura

Pentest: de compliance a diferencial competitivo

Hoje, o teste de penetração — ou pentest, como é mais conhecido — é praticamente um consenso como pilar de segurança. De acordo com o relatório, 97% das empresas o consideram essencial. Mais do que isso, sua função foi além da simples conformidade regulatória. Ele se tornou um verdadeiro diferencial competitivo, pois fortalece a confiança dos clientes e eleva a qualidade dos produtos e serviços.

Essa mudança de paradigma impulsionou uma transformação: o modelo programático. Empresas mais evoluídas abandonaram o pentest esporádico em favor de uma abordagem contínua, integrada diretamente ao ciclo de desenvolvimento de software e à gestão de riscos. É um passo importante para garantir que a segurança seja pensada desde o início, e não apenas como um check-list tardio.

A falha não está na ferramenta, mas na remediação

Apesar de toda essa maturidade e avanço, o relatório da Cobalt aponta um gargalo crucial: a remediação. É aqui que a teoria e a prática se chocam. Enquanto algumas empresas consideradas de alta performance conseguem resolver falhas críticas em cerca de 10 dias, outras, menos estruturadas, chegam a levar impressionantes 249 dias. Ou seja, um risco que deveria ser rapidamente corrigido pode permanecer exposto por mais de oito meses.

E o problema vai além: muitas organizações afirmam cumprir seus SLAs (Service Level Agreements), mas apenas 15% dos profissionais técnicos que lidam diretamente com o código concordam com essa perspectiva. Isso evidencia um claro desalinhamento entre a gestão que estabelece as metas e a operação que as executa.

Na prática, o que está acontecendo é que:

Uma máxima popular entre especialistas resume bem o problema: “Pentest sem remediação é apenas diagnóstico. Segurança real começa quando o finding vira ação.” Não basta saber que há um buraco; é preciso tapá-lo.

Inteligência Artificial: segurança em terreno movediço

A adoção vertiginosa da Inteligência Artificial abriu um novo flanco de exposição. Os números são instigantes. Cerca de 83% das empresas hoje monitoram o comportamento de suas IAs para detectar uso malicioso ou abuso — um salto de 21% em um ano. Além disso, 77% realizam avaliações de segurança regulares e testes de penetração específicos para produtos de IA generativa, o que representa um aumento de 11%.

Mais da metade das organizações já utiliza testes de intrusão ou testes adversariais focados diretamente na segurança de modelos de linguagem grandes (LLMs). É um avanço e tanto, que mostra uma preocupação genuína com a segurança dessas novas ferramentas.

No entanto, esses dados precisam ser lidos com cautela. Apesar de todo esse monitoramento e testes, quase uma em cada cinco organizações sofreu um incidente de segurança relacionado à IA no ano passado. Ou seja, o monitoramento é vital, mas não suficiente para deter todas as ameaças.

A discrepância é ainda mais reveladora: enquanto 77% estão realizando avaliações, a confiança na postura de segurança de IA ronda os 50%. Isso sugere que os testes estão, de fato, revelando uma enxurrada de problemas, mas as equipes de segurança estão lutando para corrigi-los na mesma velocidade em que são encontrados. É mais um indício de que a velocidade de detecção, sem a agilidade na remediação, coloca as empresas em uma corrida contra o tempo.

O cenário para o pentest em 2026, e especialmente para a segurança da IA, pede uma reflexão mais profunda. A detecção de vulnerabilidades é apenas a primeira etapa. O verdadeiro desafio reside em construir processos de remediação que sejam tão rápidos e eficazes quanto os métodos para descobrir as falhas. Sem isso, a maturidade da segurança ofensiva corre o risco de ser apenas uma fachada, enquanto as portas dos sistemas continuam abertas para quem souber explorá-las.

Tags: pentest segurança ofensiva vulnerabilidades cibersegurança inteligência artificial

Perguntas Frequentes

O que é o 'modelo programático' de Pentest?

É uma abordagem contínua e integrada de testes de penetração, realizada durante todo o ciclo de desenvolvimento e gestão de riscos, em vez de testes pontuais e isolados.

Qual a principal dificuldade das empresas em segurança ofensiva hoje?

A maior dificuldade não está em encontrar vulnerabilidades, mas sim em remediá-las de forma rápida e eficiente, atrasando a correção de riscos críticos por semanas ou meses.

Quanto tempo leva para remediar vulnerabilidades críticas em diferentes tipos de empresas?

Empresas de alta performance resolvem vulnerabilidades críticas em cerca de 10 dias, enquanto organizações menos maduras podem levar até 249 dias para a mesma tarefa.

Como a segurança da Inteligência Artificial está se desenvolvendo?

A maioria das empresas (83%) já monitora a IA contra abusos e 77% realizam testes de penetração em produtos de IA generativa, com mais da metade focando em segurança de LLMs.

Mesmo com monitoramento, a IA ainda está vulnerável?

Sim, apesar do crescente monitoramento, quase uma em cada cinco organizações sofreu um incidente relacionado à IA no ano passado, indicando que a detecção ainda supera a capacidade de correção.