A Alphabet demonstrou uma grande recuperação no mercado, ultrapassando brevemente a Nvidia em valor de mercado no after-market recentemente. Essa ascensão pode parecer surpreendente para uma empresa que, no início da expansão da inteligência artificial, era vista com certa desconfiança e até como vulnerável.
No entanto, em pouco mais de um ano, as ações da gigante de tecnologia cresceram cerca de 160%. Por trás desse crescimento, há uma percepção crescente em Wall Street: o Google está em uma posição favorável em praticamente todas as áreas da inteligência artificial. Isso se deve a seus modelos de IA próprios, sua vasta rede de distribuição global e sua unidade de computação em nuvem, que se tornou um atrativo para outras empresas em desenvolvimento no setor.
Para contextualizar, das outras sete grandes empresas de tecnologia americanas com valor de mercado acima de US$ 1 trilhão, a Broadcom, fabricante de chips, aparece com o segundo melhor desempenho no mesmo período de 12 meses, com uma alta de 107% nas ações. A diferença é significativa.
“O Google é uma das duas empresas mais bem posicionadas em IA porque controla grande parte da cadeia”, afirmou Gene Munster, sócio-gerente da Deepwater Asset Management. “Chips, modelos, infraestrutura e distribuição. Além disso, é altamente lucrativa.”
Munster coloca a SpaceX, de Elon Musk, como a outra companhia nesse mesmo patamar. A empresa de Musk se uniu à xAI em fevereiro, em um acordo avaliado em US$ 1,75 trilhão – mostrando que a busca pela IA vai muito além do mercado financeiro.
Analistas veem Alphabet como a escolha principal em tecnologia
O otimismo do mercado com a Alphabet aumentou após o balanço da empresa, divulgado na semana passada. Analistas do JPMorgan, por exemplo, classificaram as ações da companhia como sua “principal escolha do setor de tecnologia”. Eles destacaram um “trimestre excepcional”, a aceleração no crescimento e uma carteira de contratos em nuvem que quase dobrou, atingindo a marca de US$ 462 bilhões.
O Mizuho, outro conhecido banco de investimentos, também elevou o preço-alvo das ações da Alphabet. Em seu relatório, os analistas afirmaram que as estimativas de mercado ainda subestimam a receita e o lucro operacional do Google Cloud para os próximos dois anos. Essa aposta sinaliza uma confiança robusta na capacidade do Google de obter grandes ganhos no setor de nuvem, especialmente com a demanda por infraestrutura de IA.
Ao fechar a semana, a Alphabet tinha um valor de mercado de US$ 4,8 trilhões, ficando atrás apenas da Nvidia, avaliada em US$ 5,2 trilhões. As posições se inverteram momentaneamente no after-market de terça-feira, quando a notícia de que a desenvolvedora de modelos de IA Anthropic se comprometeu a investir US$ 200 bilhões no Google Cloud ao longo de cinco anos para obter 5 gigawatts de capacidade computacional veio a público. Uma movimentação que demonstra o poder de atração do Google na infraestrutura de IA.
Google concentra múltiplas oportunidades de receita na IA
Para os investidores, esse acordo com a Anthropic foi mais um indício claro da capacidade do Google de gerar receita e competir na inteligência artificial. A companhia atua em diversas frentes.
O arsenal inclui o Gemini e a DeepMind, que cuidam dos modelos e da pesquisa em IA, o Google Cloud para a infraestrutura computacional, os TPUs como uma alternativa poderosa aos chips da Nvidia, e, claro, a capacidade de integrar recursos de inteligência artificial em produtos de grande alcance como a busca, o YouTube e o Android.
Mesmo com todo esse cenário aparentemente favorável, há quem ainda demonstre certa cautela. Alguns analistas levantam a questão do quanto da carteira de contratos da Alphabet pode estar ligada à Anthropic. A startup é altamente avaliada, mas é também uma grande consumidora de caixa, levantando dezenas de bilhões de dólares junto ao Google e, em grande parte, direcionando esses recursos de volta para os serviços de nuvem e TPUs da própria empresa.
Se o compromisso de US$ 200 bilhões da Anthropic for comparado à carteira total de contratos em nuvem divulgada pela Alphabet, ele poderia representar mais de 40% do que está por vir. Isso levanta uma questão delicada sobre a diversificação da receita de contratos de nuvem de IA, e se há uma dependência excessiva de um único cliente, por mais proeminente que ele seja. Esse é um ponto crucial a ser observado, pois a concentração de risco nunca é bem vista nos mercados financeiros. A resiliência da Alphabet no longo prazo dependerá de sua capacidade de expandir essa base de clientes e garantir que seu ecossistema de IA seja robusto e autossustentável em múltiplas frentes.
A disputa pela liderança na IA está apenas começando, e cada movimento estratégico, como o do Google em controlar 'toda a cadeia', pode definir os próximos líderes. Quem sairá na frente?