Por anos, a ideia de carros autônomos circulando pelas ruas parecia coisa de filme. Hoje, os robotáxis são uma realidade palpável em algumas cidades americanas. Levou pouco mais de uma década para que a tecnologia, que nasceu dos desafios DARPA Grand Challenges, chegasse ao serviço comercial da Waymo na Califórnia. Inicialmente, claro, com um motorista de segurança a bordo.
Os defensores dessa tecnologia multimilionária — que já atraiu mais de US$ 100 bilhões em investimentos — sempre apontaram dois grandes benefícios: segurança e, principalmente, a capacidade de reduzir o trânsito. A promessa era que os veículos autônomos seriam mais seguros que os dirigidos por humanos e, de quebra, otimizariam o fluxo nas ruas.
E, em parte, a segurança parece ter um respaldo. Dados da Waymo do ano passado indicaram que seus carros se envolveram em bem menos acidentes do que veículos com motoristas humanos. Consequentemente, as indenizações de seguro também foram menores. No entanto, o sistema não é infalível. Incidentes recentes envolveram ônibus escolares sendo ultrapassados ilegalmente e carros presos em estradas alagadas, mostrando que a tecnologia ainda tem seus percalços, como a CNN também notou.
Robotáxis e o fluxo do trânsito: uma decepção?
Mas, e a promessa de desafogar o trânsito? Essa é a questão que tem gerado mais discussão. Relatórios da Waymo, enviados à Comissão de Serviços Públicos da Califórnia, trouxeram um balde de água fria. Segundo esses dados, os robotáxis não se mostraram mais eficazes em reduzir o tráfego do que os serviços de transporte por aplicativo, como Lyft e Uber.
A ideia de que a automação no transporte resolveria o problema do congestionamento é antiga. Desde as primeiras discussões sobre o futuro da condução, falava-se de “cortar o tráfego” com veículos autônomos. A teoria era que a coordenação perfeita e a otimização de rotas dos sistemas autônomos levariam a um fluxo contínuo e mais eficiente. Mas a realidade documentada até agora, ao menos com os serviços atuais, parece divergir dessa visão otimista.
Isso levanta uma análise importante: a simples substituição de motoristas humanos por algoritmos pode não ser suficiente para resolver desafios urbanos complexos como o trânsito. A forma como esses veículos são utilizados, a demanda que geram e a infraestrutura das cidades são fatores que pesam tanto quanto a tecnologia embarcada. É um lembrete de que a inovação, por mais avançada que seja, precisa ser avaliada em seu contexto real de uso.
Os dados apresentados pela Waymo são um ponto de partida para essa reflexão. Eles sugerem que, se o objetivo é uma cidade com menos engarrafamentos, a solução pode precisar de uma abordagem mais ampla do que apenas a automação veicular.