A Tesla pode estar prestes a enfrentar um obstáculo significativo para a expansão de seu software de direção autônoma na Europa. Uma autoridade de transportes sueca está recomendando que o país vote contra a implantação europeia do programa supervisionado de condução autônoma da montadora, a menos que a empresa de veículos elétricos faça alterações que atendam às preocupações sobre o que seria considerado um produto inacabado.
A decisão da agência sueca poderá ter um impacto continental. Se aprovada a recomendação, o país irá se opor ao pedido da Tesla para a aprovação em toda a União Europeia de uma versão do seu programa Full Self-Driving (FSD) na reunião do Centro Técnico de Veículos da UE em 2 de julho.
Essa reunião, composta por representantes das autoridades de aprovação de tipo de todos os 27 países da União Europeia, decide por maioria simples. Isso significa que, se a Suécia conseguir angariar apoio de outros países membros, a proposta da Tesla pode ser vetada para todo o bloco.
Por que a Suécia está preocupada?
O foco da apreensão sueca reside na natureza do software FSD da Tesla. Em sua forma atual, o sistema é comercializado como um recurso de "assistência ao motorista", o que implica que o condutor deve permanecer atento e pronto para intervir a qualquer momento. No entanto, a Agência Sueca de Transportes argumenta que o FSD, mesmo que supervisionado, ainda é um produto "inacabado" e que seu nome pode induzir os consumidores a uma falsa sensação de segurança.
"A tecnologia de condução autónoma da Tesla não está totalmente desenvolvida. Não funciona de forma suficientemente segura para ser lançada em toda a UE", disse o chefe da seção de tráfego rodoviário da Agência Sueca de Transportes, Niclas Nilsson, à Reuters.
Nilsson ainda acrescentou: "O nome 'Full Self-Driving' é enganoso e dá a impressão de um sistema que pode fazer tudo sozinho. Mas não é o caso."
A preocupação principal é que a forma como o sistema é apresentado e nomeado pode levar os motoristas a confiar excessivamente na tecnologia, ignorando as responsabilidades de supervisão que o próprio sistema exige. A agência sueca teme que essa ambiguidade possa resultar em acidentes, colocando em risco a segurança nas estradas.
O histórico de acusações e a postura da Tesla
A Tesla já enfrentou questionamentos sobre o FSD em outras regiões. Nos Estados Unidos, a empresa tem sido objeto de investigações por acidentes envolvendo carros que utilizavam o sistema. Embora a montadora insista que o FSD é um sistema de assistência que exige supervisão ativa do motorista, críticos argumentam que a interface e o marketing do produto sugerem um nível de autonomia que ainda não foi alcançado.
A versão do FSD que a Tesla busca aprovar na Europa é a mesma que está atualmente disponível para clientes nos EUA e Canadá, com motoristas do lado esquerdo da estrada. A empresa tem sido cautelosa em lançar o sistema em mercados europeus, provavelmente devido a um cenário regulatório mais fragmentado e rigoroso em comparação com a América do Norte.
Uma fonte da Tesla afirmou que o FSD permite "condução autônoma supervisionada" e que, embora os carros possam se dirigir, os motoristas ainda são responsáveis pelo controle do veículo. Esta distinção é crucial para a defesa da empresa, mas é precisamente o ponto de fricção com a autoridade sueca.
Em 2023, um estudo da seguradora norte-americana AAA mostrou que os sistemas de assistência ao motorista, como o FSD da Tesla, cometiam erros a cada oito milhas, ou seja, cerca de 13 quilômetros percorridos, em condições reais de condução, exacerbando as preocupações de segurança.
A reunião de 2 de julho será decisiva para o futuro do FSD da Tesla na Europa. Se a Suécia conseguir reunir votos suficientes, a empresa pode ser forçada a revisar seu software ou sua estratégia de marketing para atender aos padrões europeus, ou enfrentar um bloqueio continental para sua tecnologia de condução autônoma.